Gestão municipal: tempo de balanço

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 10 Outubro 2022
Gestão municipal: tempo de balanço
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Faz esta semana um ano que a actual Câmara Municipal de Évora foi instalada.

As eleições trouxeram-nos uma Câmara dividida em que a CDU, a coligação mais votada com dois eleitos, nomeou o seu presidente e o vice-presidente. O PS e o PSD elegeram cada qual dois vereadores e o Movimento apoiado pelos partidos RIR e Nós Cidadãos elegeu uma vereadora. Nenhum destes eleitos quis arregaçar as mangas e meter a mão na massa da gestão executiva, nenhum aceitou pelouros.

Passado este primeiro ano é bom que cada munícipe avalie o resultado do voto que concedeu e veja o que cada um dos seus sete eleitos tem feito na Camara Municipal e o que falta fazer.

Se virmos bem este tem sido um ano de navegação à vista, sem um projecto global e uma visão para o Município e a cidade. Se olharmos à volta direi que é mais fácil apontar o que falta fazer porque, em rigor, falta fazer quase tudo do que foi prometido.

A coisa mais básica que uma gestão municipal deve assegurar é a limpeza e higiene, mas o resultado continua a ser deplorável. A cidade está suja e malcuidada, desmerecendo da classificação como Património da Humanidade. Somam-se as queixas, os reparos de cidadãos, de juntas de freguesia, da Assembleia Municipal. E tudo isto o executivo acaba por reconhecer, incapaz de inverter a situação.

Numa altura de crise em que as famílias tanta dificuldade têm de fazer face à inflação, a Câmara Municipal vem anunciar que não aumentará as tarifas para o ano, mas continua a não aplicar automaticamente a tarifa social da água, o que permitiria um alívio efectivo nas contas das famílias de menor rendimento.

No que toca aos transportes o contrato de concessão continua por celebrar e o actual já vai na 3ª extensão.

Algumas escolas podem ter obras de melhoria mas continuam a debater-se com falta de pessoal auxiliar.

Quanto a habitação continuamos a não ver respostas à altura das dificuldades com que tantas famílias, principalmente jovens se confrontam, ao mesmo tempo que continua a haver casas da Habévora vazias e procedimentos de atribuição obscuros.

Antes das eleições era prometida a criação de um balcão único para as Freguesias, mas as Juntas de freguesia queixam-se de que não têm respostas da Câmara e que estão ao abandono.

Até no que toca aos pagamentos a fornecedores a situação se degradou. O ano passado acabou sem pagamento em atraso, mas no primeiro semestre deste ano os atrasos nos pagamentos já vão em mais de cem dias.

E que explicação é dada aos munícipes para uma obra tão cara como a requalificação do Salão Central, que terá custado 2,5 milhões de euros, aparentemente pronta e o edifício estar ainda fechado?

É certo que muitos e de qualidade são os espectáculos e eventos que têm ocorrido no âmbito da candidatura a Capital da Cultura, mas sinceramente isto faz-me lembrar aquelas pessoas que levam um belíssimo sobretudo mas que por baixo o fato está roto e cheio de nódoas!

Os tempos que se avizinham vão expor muitas fragilidades e a necessidade de respostas sociais robustas e de uma gestão municipal rigorosa, não casuística e sobretudo norteada por uma visão de futuro.

Inverter esta situação exige que cada um dos eleitos, os que estão no poder e os que estão na oposição, olhe para os interesses do Município e dos munícipes e seja capaz de, sem tacticismos, os pôr à frente dos seus interesses partidários e, no mínimo, acordar num pacto de entendimento para o mandato.

Até para a semana!

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