Governo em queda

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 27 Janeiro 2023
Governo em queda
  • Rui Mendes

 

O executivo está a passar por um período terrível.

A popularidade de António Costa caiu a pique, as sondagens já não colocam os socialistas como primeira força.

Esta queda abrupta de ambos era impensável que acontecesse um ano após terem ganho as últimas eleições legislativas com uma maioria absoluta. Eleições que foram realizadas antecipadamente, em 20 de janeiro de 2022, em resultado de uma outra crise política.

Acontece que António Costa vence as legislativas de 2022 prometendo estabilidade política. Foi essa premissa que levou os portugueses a votarem no partido de António Costa, por terem concluído, na altura, que não haveria outra alternativa.

Mas este último ano tem demonstrado que o executivo, pese embora sustentado por uma maioria parlamentar de 120 deputados, não conseguiu dar aos portugueses a almejada estabilidade política. Muito pelo contrário, este último ano foi particularmente intenso em casos, em demissões de membros do Governo por suspeições e mais suspeições. No recrutar de recém-licenciados para gabinetes governativos, como técnicos especializados, que mais não são do que estagiários. No colocar a corrupção como um problema sério em Portugal. Enfim, uma vergonha. Por incrível que pareça a estabilidade foi acima de tudo causada pelo próprio Governo.

Ao fim de 8 anos António Costa não consegue apresentar um resultado que seja reconhecidamente de valor político. O novo aeroporto está em banho maria, a TAP é um monte de problemas e agora já se pretende e sua privatização, a EFACEC é outro dilema, os grandes casos que se encontram na justiça não têm avanços e vão alegremente caminhando para prescreverem, a saúde é uma drama, na educação os professores perderam a paciência, a descentralização é outro desaire, não se cumprem datas e não se conhece o sentido e os eventuais ganhos das medidas tomadas. Poderíamos aqui continuar com os muitos outros dos desacertos.

Por isso temos um Governo que está fragilizado e que anda a reboque do que a “rua” lhe vai exigindo. Por isso temos ministérios onde os ministros estão completamente ausentes, por estarem enfraquecidos.

António Costa perdeu força, e perdeu também alguma legitimidade, porque as sondagens valem o que valem, mas não deixam de mostrar o sentimento político dos portugueses. O resultado destas é uma das formas dos portugueses revelarem o seu desapontamento geral pela fraquíssima ação do executivo, pela desorientação do Governo.

António Costa tem um trunfo, sempre o teve, os fundos comunitários. Portugal receberá nesta década 41 mil milhões de euros de financiamentos do Portugal 2030 e do PRR, a que acresce ainda financiamentos de outros programas.

A importância de uma boa aplicação destes fundos é de fundamental importância para o país, sendo que os portugueses deverão ser exigentes e não deverão perdoar, neste campo, qualquer menos boa aplicação.

 

Até para a semana

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