Governo espanhol e Orçamento português

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 10 Janeiro 2020
Governo espanhol e Orçamento português
  • Alberto Magalhães

 

 

Pedro Sánchez recusou, no passado mês de Julho, formar governo com o Podemos. De um ponto de vista pessoal, compreendo-o perfeitamente. Aturar um Pablo Iglesias no conselho de ministros será decerto pior que engolir um sapo gordo e viscoso. Mas, politicamente, a recusa foi uma aposta perdida. Provocou novas eleições, o PSOE perdeu três deputados, o Podemos perdeu sete, e Sánchez acaba de se ver obrigado a fazer a indesejada coligação que, sem maioria, fica nas mãos da Esquerda Republicana Catalã que, como o nome indica, não é o suporte mais sólido para um governo de el-rei de Espanha. Ou seja, Pedro Sánchez e Pablo Iglesias estão presos numa camisa de onze varas e com eles todo o país nosso vizinho.

Ao contrário, o nosso António Costa terá, hoje, o primeiro orçamento deste seu segundo governo aprovado na generalidade, sem sobressaltos. Ontem, no debate, António Costa atirou certeiro ao maior partido da oposição – incapaz de um mínimo de argumentação plausível face a um orçamento centeniano excedentário – “o PSD quer mais investimento, menos impostos e maior excedente orçamental. Isso é pensamento mágico”.

À esquerda, uns sapinhos lindos vão-se engolindo com a ajuda de uma ou outra medida negociada. Assim, embora Jerónimo de Sousa tivesse dito há tempos que o PCP não tinha por costume abster-se, os comunistas foram os primeiros a anunciar que o fariam hoje. Logo a seguir o PAN. Depois o BE. Embora Catarina Martins fizesse voz grossa ao dizer que negociou até ao último minuto, saber-se que, nessa altura do campeonato, já era indiferente o sentido de voto do Bloco, roubou alguma vibração à tirada. Falta saber como votará hoje a Joacine. Só por curiosidade.

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