Grávidas a mais ou médicos a menos?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 14 Junho 2022
Grávidas a mais ou médicos a menos?
  • Alberto Magalhães

Estas coisas são cíclicas, acontecem quase todos os anos e melhor que a semana de trabalho de 4 dias é o fim-de-semana de 4 dias. Na realidade, até parece que as pessoas fazem de propósito para tirar o sossego a quem tutela a pasta da Saúde. Sempre que acontece, é vê-los, aos médicos do SNS, a adoecerem subitamente e até a infectarem-se preventivamente com covid-19 uns dias antes. Os utentes, então, é vê-los a partir braços e pernas, uns, a partir cabeças, outros, sempre com o intuito escondido de testar as urgências de ortopedia. Então as grávidas… parece que fazem as contas para parir nos Santos Populares, só para porem em destaque a falta de obstetras nos hospitais.

Depois, há insinuações e narrativas maldosas para todos os gostos. Que os médicos do SNS não estão confortáveis a fazer bancos ao lado de colegas ‘tarefeiros’ que ganham três ou quatro vezes mais que as suas horas extraordinárias, as mais das vezes tendo menos qualificações; e que o SNS deixou de ser atractivo para os especialistas recém-formados; e que o problema não é novo e a ministra anda em negação há cinco anos; e que, muito em breve, se aposentarão 1300 especialistas hospitalares e 1200 médicos de família, mas a ministra não quer ver ou não quer que a gente veja o que aí vem.

Enfim, o que é certo é que a ministra da Saúde tem uma altíssima aceitação junto dos portugueses, todos a acham humana, competente e corajosa. Confesso a minha cegueira. Por mim, acho que Donald Trump descobriu uma nova disposição do eleitorado quando disse que podia dar um tiro em alguém na 5ª Avenida e não perdia votos. Ele não é o único a poder dizê-lo.

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