Guerra civil à portuguesa

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 21 Novembro 2018
Guerra civil à portuguesa
  • José Policarpo

 

 

A sinistralidade rodoviária é uma matéria que nos afeta há muitos anos enquanto comunidade. Todos os anos sem exceção é um tema que nos assola com números de mortes e de feridos absolutamente preocupantes. Somos uns dos países da união europeia com mais mortes nas estradas, cerca de 80 por um milhão de pessoas. O problema está identificado. Falta de civismo por parte dos condutores, melhores estradas e melhor sinalização. No fundo, falta a prevenção.

Somos um país que muito regulamenta, todos conhecemos esta realidade. E, em matéria rodoviária, não é exceção. Contudo, os resultados são o que são. Infelizmente são péssimos. É inadmissível que morram nas estradas portuguesas mais de 800 pessoas por ano. Trata-se de uma verdadeira “guerra civil”. Todos os dias os condutores e condutoras portugueses, têm um grau de probabilidade elevado de terem um acidente e, pior ainda, de morrerem na estrada.

Na verdade, o comportamento geral dos condutores portugueses é em muitos aspetos altamente censurável. Quem é que não viu excessos de velocidade dentro das localidades? Quem é que não viu condutores ao telemóvel? Quem é que não viu condutores a desrespeitarem a sinalização das passadeiras. Quem é que não viu condutores a fazer ultrapassagens em locais absolutamente bizarros. No fundo, todos já assistimos às maiores das tropelias das regras estradais.

Por isso, governo, forças de segurança e condutores, uma vez por todas, têm que estar juntos e unidos para fazer um combate sem tréguas a esta calamidade. O Governo deverá exigir das forças de segurança fiscalização preventiva, não a caça à multa. Entre outras medidas, a colocação de agentes nos pontos críticos. E aos condutores, porventura o país não esteja preparado para tanto, mas que se copie o que os países mais avançados fazem nesta matéria, conferir-lhes o direito de fiscalização e de poderem denunciar todas as violações do código da estrada que assistam. Obviamente, que neste particular, porque poderá haver a violação de direitos e liberdades, terá o legislador de abrir esta discussão.

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