Guerra de enganos

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 21 Fevereiro 2022
Guerra de enganos
  • Alberto Magalhães

 

 

Fala-se hoje de guerra “híbrida” para significar a militarização do ciberespaço, transformado em campo de batalha. Na realidade, a guerra sempre foi híbrida, no sentido em que, a par da luta campal, sempre existiu a componente de informação e contra-informação, com a pretensão de trapacear o inimigo, levá-lo ao engano com truques bem urdidos. Sun Tzu disse, no clássico “Arte da Guerra”: “Todo o guerreiro se baseia na simulação”. E também disse: “porque obter uma centena de vitórias numa centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem o combater, isso sim, é o cúmulo da habilidade”. Efectivamente, confundir as hostes inimigas, desmoralizá-las, provocar a discórdia entre elas, descobrir os seus segredos e esconder os nossos, sempre foi da máxima importância na guerra.

Atente-se no DN, de ontem, que escreve assim: “Os comandantes militares russos no leste da Ucrânia já terão recebido de Moscovo os planos para atacar o país. É pelo menos esta a informação que os serviços secretos americanos dispõem no momento”.

À luz do que afirmei atrás, o leitor tanto pode concluir que: 1º o ataque russo à Ucrânia está iminente ou, pelo menos, é altamente provável; 2º a CIA quer apoiar com informação falsa a repetida afirmação do presidente Biden, de que o ataque russo é para ontem; 3º os serviços secretos russos iludiram a CIA, convencendo-a da firme intenção russa de atacar a Ucrânia, fortalecendo assim o bluff de Putin.

Putin, que declara repetidamente, querer a paz enquanto coloca 100 mil soldados na fronteira ucraniana. Putin, que enquanto declara a retirada dessas tropas, as aumenta para quase o dobro. Ou este aumento é invenção da CIA? Uma coisa é certa: não parece ser intenção da Ucrânia invadir a Rússia. Nem sequer a Bielorrússia.

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