Há perceções e perceções

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 18 Maio 2022
Há perceções e perceções
  • José Policarpo

Os regimes antidemocráticos alimentam-se sempre das perceções que criam junto dos seus destinatários, do povo em geral, para se perpetuarem no poder. Os regimes como o cubano, o venezuelano e o norte coreano, e, podia aqui citar outros mais, são o exemplo acabado disso.

Na verdade, a ficção da realidade é um instrumento altamente eficaz para quem detém o poder quando a maioria da população não se questiona ou não está para se maçar com nada. Enquanto houver dinheiro para a aquisição de algumas bebidas alcoólicas e para tabaco, está tudo bem, ou pelo menos, podia estar ainda pior pensarão muitos.

Contudo, no mundo ocidental, nas ditas democracias desenvolvidas o fenómeno das perceções também tem os seus adeptos fervorosos. Será que a comunicação social, porque não é toda igual, realiza o seu trabalho de forma independente e objetiva? Tenho muitas dúvidas.

Vivemos os últimos dois anos debaixo de um medo avassalador motivado pela pandemia, diziam-nos, todos os dias, que, o distanciamento social e o uso das máscaras, seriam os meios adequados para sobrevivermos às maldades provocadas pelo vírus sars cov2.

Mais tarde viemos a saber que, não era bem assim, porque havia grupos de risco e que estes deveriam ter sido logo protegidos para assim se terem podido evitar mortes e internamentos. Entretanto, a economia bateu no chão porque as pessoas foram reconduzidas para as suas casas e deixaram de consumir. Os mais sacrificados, como sempre, foram aqueles que menos proteção social têm.

Quando estávamos a levantar a cabeça após o “castigo” provocado pela pandemia a Ucrânia é invadida pela federação russa. Para além dos efeitos mais dramáticos que, são sempre os humanitários, os efeitos económicos são muito preocupantes.

A inflação galopante é uma elevada preocupação para os países ocidentais. Embora nos últimos tempos tenha vindo numa tendência ascendente, as sanções aplicadas pelos países ocidentais à Rússia estão a ter impactos no preço da energia nunca vistos e com consequências imprevistas. O desemprego, a agitação social e a fome, serão realidades no curto prazo.

Por isso, deixo aqui uma provocação para reflexão. Por que razão os países do mundo ocidental não se preparam para fazerem face à possibilidade da Rússia levar a cabo a sua vocação belicista?!? Não será devido a perceções erradas criadas por gente que diz democrata?!?

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