Há pouco tempo ninguém imaginaria a catadupa de acontecimentos

Crónica de Opinião
Terça-feira, 30 Janeiro 2024
Há pouco tempo ninguém imaginaria a catadupa de acontecimentos
  • Capoulas Santos

Há pouco tempo ninguém imaginaria a catadupa de acontecimentos que iriam ocorrer e que marcarão, seguramente, o ano que antevíamos festivo e em que comemoramos os 50 anos da conquista da democracia.
O acontecimento mais recente culminou, na semana passada, com a prisão preventiva do Presidente da Câmara Municipal do Funchal, seguida da demissão dele próprio e do Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, ambos suspeitos de alegados crimes de corrupção.
Há apenas três meses, outra investigação, lançando suspeitas sobre o próprio Primeiro-ministro teve como reação o pronto pedido de demissão por parte deste, abrindo uma surpreendente crise política.
O Presidente da República não perdeu tempo a recusar a indigitação de um novo primeiro-ministro e a anunciar a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições, para o dia 10 de março, não obstante as últimas terem decorrido, então, há pouco mais de ano e meio e de o partido de governo contar com uma sólida maioria parlamentar.
Causa, por isso, estranheza, que, perante a grave crise política agora aberta na Madeira, Sua Excelência, habitualmente tão loquaz, decorridos vários dias, não tenha tido ainda oportunidade de informar a Região e o País sobre o desfecho que preconiza para a ultrapassar.
Tenciona, a exemplo do que decidiu para a República e para a Região Autónoma dos Açores, convocar novas eleições? Ou pretende dar posse a um novo Presidente do Governo com apoio da atual maioria parlamentar, composta pelo PSD, CDS, PPM e PAN?
Bem sei que, nos termos constitucionais, o Presidente da República não pode dissolver um parlamento antes de decorridos seis da sua investidura e que o atual, agora demissionário, na Madeira, só foi empossado há quatro.
Mas, que diabo, nada na constituição impede o Presidente da República de dizer o que pretende fazer daqui a dois meses.
Se pôde, no princípio de outubro, anunciar eleições para março, com cinco meses de antecedência, porquê este pudor, agora?
Será porque teme que os resultados das eleições de 10 de março possam expor a nu o erro de avaliação que fez ao dissolver a Assembleia da República, podendo ficar a perceção de favorecimento da sua própria área política, que seria, agora, reforçada, no que refere à Madeira, caso não dissolva?
Aguardemos, pois, o desenrolar dos acontecimentos. Nada seria mais desagradável, no cinquentenário do 25 de Abril, do que vermos, a somar às crises na República e nas duas regiões autónomas, uma crise na Presidência da República.

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