Habitação e eleições

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 03 Abril 2024
Habitação e eleições
  • Paula Pita

Em 2025 há eleições autárquicas.
Foi assim que iniciei a crónica na semana passada, mas adequa-se perfeitamente à de hoje.
Há quase um ano, soube-se, com pompa e circunstância, que o Plano Local de Habitação de Évora, iria aplicar mais de 63 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na reabilitação e construção de casas para famílias em situação vulnerável e na reabilitação do equipamento, Lar dos Espinheiros, que funcionará como centro de emergência temporário e de transição até 24 pessoas. Anunciava-se 341 habitações a reabilitar, o apoio no âmbito do Programa 1ºDireito a 184 famílias na reabilitação de casas , insalubres e sobrelotadas e o desenvolvimento de candidaturas para a construção de 162 habitações para atribuir em arrendamento apoiado ou acessível.
Eis que numa assentada, em reunião de câmara, o Presidente apresenta um conjunto de propostas que visam minorar um dos mais graves problemas: a falta de habitação e que foram aprovadas por unanimidade.
A primeira, que tem sido amplamente noticiada na comunicação social, a demolição do Bairro do Escurinho, onde vivem 70 famílias, para se construir mais de 122 fogos, no total de 26 milhões de euros. O município aprovou o projeto de arquitetura do loteamento e está previsto fazer as infraestruturas para depois lançar o concurso para as obras.
Foi aprovado o projeto de arquitetura do loteamento para a construção de 40 fogos, no terreno municipal no Bairro do Moinho, para famílias de classe média e vulneráveis, no total de 5 milhões de euros, cujo concurso de empreitada está previsto para o final do ano.
No âmbito do ELH, foi dada autorização para a câmara adquirir até 237 habitações no mercado,por valores entre os 1400 a 1500 euros por metro quadrado, no total de 20 milhões de euros
Ainda na ELH foram incluídos 14 fogos, pertencentes ao Instituto de Ação Social das Forças Armadas, que se encontram devolutos e a necessitar de obras e que serão arrendados a custos acessíveis.
Portanto, estamos presente a mais uma azáfama, por parte do município, para mostrar trabalho.
Mas alguém acredita que até às eleições aparece obra feita?
No máximo terá lançado os concursos para as empreitadas.
Mesmo que lance os concursos, haverá mão de obra disponível para todas estas obras a decorrer ao mesmo tempo?
A solução será recorrer a mão de obra imigrante mas, ironia das ironias, haverá habitação para os instalar?
O próximo mandato será muito atribulado, entre todo este afã e a Capital Europeia da Cultura, não haverá descanso para quem estiver na câmara.
Ao menos estaremos a Cuidar de Évora.

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