Habitação

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Fevereiro 2023
Habitação
  • Rui Mendes

 

A habitação em Portugal parece ter entrado na agenda do Governo.

Ontem António Costa apresentou as linhas gerais das medidas que o governo entende serem suficientes para atacar o problema da habitação em Portugal.

O programa é constituído por cinco principais medidas:

aumentar a oferta de imóveis para habitação, simplificar os processos de licenciamento, aumentar o número de casas no mercado de arrendamento, combater a especulação e proteger as famílias.

Cremos que o Governo se viu obrigado a apresentar algo em face da dimensão que o problema da habitação atingiu em Portugal. Era imperioso que o fizesse.

Os custos da habitação assumem hoje um enorme peso nos orçamentos das famílias, quer pelo elevado valor das rendas, quer porque as prestações aos bancos entraram numa fase de sucessivos aumentos, por efeitos da subida de juros praticados pelo BCE como forma de combater a elevada inflação. Juros que irão continuar a subir, pelo que o problema tende ainda a agravar.

Se atendermos a alguns indicadores relativos à habitação facilmente percebemos a enorme dimensão do problema.

Desde 2010 que muitos dos portugueses viram o seu poder de compra reduzir, quer pelo congelamento de salários, quer pelo aumento das cargas fiscais, quer ainda pelos efeitos da inflação, os custos com a habitação estiveram sempre em crescendo, com as vendas das casas em Portugal  a aumentarem no período 89%. Lisboa é atualmente a cidade que regista maior aumento percentual do valor da renda na Europa, com o preço médio por metro quadrado no arrendamento a atingir sucessivos valores históricos.

Nos locais onde o problema assume maior dimensão acontece a sobrelotação, qualquer espaço tem o seu valor inflacionado, quer seja no mercado de venda, quer no de arrendamento. Contudo, a falta de habitação origina estes e tantos outros problemas.

A reação ao problema da habitação por parte do Governo é evidentemente tardia. Todos os anos o problema da habitação se tem agravado e António Costa é primeiro-ministro desde 2015, tendo tido, sempre, todas as condições políticas para atacar os problemas do país, desde logo o da habitação. Mas o primeiro-ministro funciona assim. Digamos que é demorado a arranjar a solução, e tardio na aplicação. Tudo demora.

Esperemos que as medidas agora apresentadas tenham efeito positivo e que não demorem a ter aplicação.

Num certo sentido a apresentação deste programa vai ao encontro de uma expressão utilizada por Francisco Pinto Balsemão esta semana para retratar o país. Disse que: “Portugal está lento e sonolento”.

Não poderíamos estar mais de acordo.

 

Até para a semana

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com