Haverá bons ou só vilões?

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 08 Maio 2019
Haverá bons ou só vilões?
  • José Policarpo

 

 

Não sei nem me interessa saber se António Costa é o político mais hábil e astuto da sua geração, deixo, aliás, essa apelativa discussão para os analistas em métrica dessas virtuosas prerrogativas pessoais e politicas. A mim o que me interessa de facto é saber se quem conduz o país está à altura de defender o futuro da maioria das pessoas que é responsável e pretende preservar o bem-comum. Conhecer isto já era conhecer muita coisa…

Vem isto a propósito da crise política doméstica do último fim-de-semana. O primeiro-ministro e o seu núcleo duro, face à possibilidade da direita parlamentar votar ao lado do bloco e do partido comunista na contagem da totalidade do tempo congelada das carreiras dos professores, veio anunciar a demissão do governo se o diploma na votação final viesse a ser aprovado.

Na verdade, a formação do atual governo resultou de um acordo parlamentar atípico, porque nunca se tinha anteriormente verificado. A nossa experiência democrática sempre permitiu ao partido vencedor indicar o primeiro-ministro. A atual governação é liderada por um partido derrotado nas eleições legislativas, mas que conseguiu ser viabilizada pelo acordo parlamentar com a extrema-esquerda.

O presente acordo aparentemente, consistiu numa só coisa, aumentar a despesa pública. O primeiro-ministro sempre disse que isso seria possível porque os tempos de austeridade tinham acabado. Por conseguinte, a reversão das medidas adotadas pelo governo anterior, não só eram justas como tinham acomodação orçamental. Enquanto o crescimento económico e a arrecadação de impostos o permitira, o partido socialista e o governo cederam à voragem despesista dos partidos da extrema- esquerda.

Sucede que, a contagem integral do tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas, para efeitos remuneratórios, segundo as contas do governo, porque não se conhecem outras e, a oposição, se as conhece, devia torna-las públicas, ascendem a 800 milhões de euros, ano.

Por tudo isto, e, em abono da verdade, como, ainda, da sã convivência democrática, governo, partidos da gerigonça, e partidos da oposição, PSD e CDS, independentemente, da justeza da reivindicação dos professores, estão obrigados a explicar aos portugueses, sobretudo a quem paga impostos, quanto custa esta medida em concreto, a integração do tempo congelado, os tais nove anos e tal. Estou certo quem for mais claro na explicação terá o reconhecimento da maioria dos portugueses.