Hoje o futebol é notícia

Nota à la Minuta
Terça-feira, 20 Abril 2021
Hoje o futebol é notícia
  • Alberto Magalhães

 

 

É inquestionável que o futebol profissional há muito deixou de ser o desporto-rei, simplesmente porque há muito deixou de ser um desporto, para se transformar num espectáculo massificado e num negócio multimilionário. Mais, há fortes indícios de que, no mundo empresarial em redor do futebol, se procede à lavagem de muito dinheiro encardido, proveniente de negócios inconfessáveis. Acrescento que nem a FIFA nem a UEFA, se parecem com meninos de coro.

Neste contexto, não admira que sejam cada vez mais os clubes que deixam de estar nas mãos dos seus associados e passam a propriedade privada de gente nem sempre recomendável, para serem geridos, digamos, sem pinga de desportivismo. Nas últimas décadas, tornou-se bem visível a concentração de dinheiro e recursos nuns quantos clubes ao nível nacional e, mais ainda, ao nível europeu, capazes de apresentar plantéis milionários e de com eles arrecadar uma parte, cada vez mais substancial, das receitas televisivas e publicitárias disponíveis.

Apesar de tudo, e de ser sempre expectável que um dos três grandes ganhe o campeonato português, ainda subsiste a possibilidade de outros clubes lhes morderem as canelas e de lhes causarem dissabores e surpresas. O mesmo se pode dizer da Liga dos Campeões ou da Liga Europa.

Agora, uma dúzia de clubes-tubarões, quer levar ao extremo esta lógica da concentração do capital, decidindo marimbar-se na ralé, e fazer uma Liga que à porta tem um cartaz a dizer: “pequenino não entra – reservado a multibilionários”. A FIFA e a UEFA já prometeram combate de morte. A pandemia, ao impedir o público nos estádios, acelerou a história do futebol europeu.

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