Idiossincrasias

Segunda-feira, 30 Agosto 2021
Idiossincrasias

Idiossincrasia portuguesa: 70 dias não chegaram para se apurar a que velocidade seguia o futuro ex-ministro Eduardo Cabrita, quando a sua viatura ministerial atropelou mortalmente um trabalhador na A6, perto de Évora. Ou dito de outra maneira: há cerca de 70 dias que se esconde dos portugueses esse valor, numa operação de encobrimento mascarada de segredo de justiça. António Costa explicou ontem porque considera Cabrita um óptimo ministro: Portugal subiu no ranking dos países seguros e, com Cabrita, nunca mais houve fogos como os de 2017. O comportamento ético do futuro ex-ministro, em casos como o da morte do ucraniano no aeroporto ou do alentejano na autoestrada, não significam nada de mais para António Costa. O pragmatismo na sua face mais atroz.

Idiossincrasia portuguesa: o Bairro Alto (e não só) pode transformar-se numa imensa discoteca, improvisada, com milhares de consumidores de álcool em autogestão, impedindo o sono dos moradores. Discotecas e bares legalmente estabelecidos e financeiramente perto da ruína, só lá para Outubro e só para quem apresente certificado ou teste válido.

Idiossincrasia americana: Tal como aconteceu no Vietname, a retirada do Afeganistão ficará na história pelos piores motivos. Joe Biden aceitou o desastroso acordo com os talibãs, feito por Trump, e a sua administração conseguiu atingir um grau de incompetência na gestão da retirada absolutamente espantoso. O golpe na imagem dos EUA, dos seus aliados na NATO e, obviamente, do Ocidente como um todo, será profundo. Se 90 mil colaboradores afegãos já saíram do país, haverá ainda mais de 200 mil em perigo de vida, se não conseguirem sair. O atentado suicida onde terão morrido, pelo menos, 175 pessoas, incluindo 13 soldados americanos, não prenuncia nada de bom.

Idiossincrasia portuguesa: ontem, chegaram do Afeganistão os quatro últimos militares portugueses, acompanhados por duas dúzias de afegãos, intérpretes e suas famílias. A esperá-los, com discursos de boas-vindas, o ministro da Defesa e o presidente da República. Nenhum jornalista confrontou o ministro Cravinho com a sua determinação, muito pouco multicultural, de que cada colaborador só poderia trazer uma esposa. Ora, sabendo-se que aos muçulmanos é permitido ter até quatro mulheres, eu imagino os dramas que esta limitação poderá ter causado.

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