Idosos de cepa rija, milagres de Portugal

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 10 Abril 2020
Idosos de cepa rija, milagres de Portugal
  • Alberto Magalhães

Segundo o jornal Público, cerca de 15% das vítimas mortais do covid-19 em Portugal eram idosos que viviam em lares. Considerando, que existem mais de 800 profissionais de lares em isolamento profiláctico; que todos os dias se vêem na TV casos de lares com dezenas de infectados e se ouvem relatos de idosos infectados que são devolvidos a lares, cujos responsáveis juram não ter maneira de os isolar da restante população; considerando que a ministra da Solidariedade, Ana Mendes Godinho, assumiu a teoria de que, querendo-se testar todo o pessoal e todos os utentes de lares de idosos, se devia começar pelos distritos menos atingidos pelo coronavírus, entre os quais o de Évora, e deixar à espera a região do Grande Porto, onde se concentram os infectados e as mortes; podemos, talvez, afirmar que os idosos portugueses são, deveras, de cepa rija, pois 61 mortes no conjunto dos lares, sabendo-se que metade dos seus utentes têm mais de 80 anos, parece quase milagre.

Mas também não admira, pois na História de Portugal, desde os alvores da nacionalidade, os milagres abundaram e não se vê razão para deixarem de abundar. O último, devemo-lo ao presidente do Eurogrupo, o nosso ministro Centeno, que ajudado pela Alemanha e a França, conseguiu conciliar as posições inconciliáveis da Holanda e da Itália, fornecendo assim, aos defensores de uma Europa unida, agora ligada à máquina, um módico de esperança, talvez vã.

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