Iluminação de Évora: sentimento de insegurança

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 24 Janeiro 2024
Iluminação de Évora: sentimento de  insegurança
  • Paula Pita

Évora tem um problema com a Iluminação. Não só no Centro Histórico, nos bairros e em todo o concelho.
Andar à noite pela cidade é perigoso. Não há quem não sinta um certo receio ao andar por ruas escuras, sem luz, cheias de sombras. E embora se diga que Évora e o distrito são dos mais seguros de Portugal, não tenhamos dúvidas que a sensação de segurança varia de acordo com a incidência de iluminação pública.
A escuridão para todos, mas principalmente para as mulheres, intensifica o sentimento de medo ligado à criminalidade. Pelo contrário, a iluminação pública transmite conforto e segurança à população.
Há ruas onde praticamente todas as luminárias estão apagadas, as muralhas não estão iluminadas, as edificações/monumentos também não, à exceção do Templo Romano. Parece que o Centro Histórico, Património Mundial, faz jus às suas origens e está envolvido numa penumbra a lembrar outros tempos em que a iluminação era escassa e feita com, poucas, candeias.
Concorre para essa perceção de ameaça, a redução do período de funcionamento da iluminação pública, que não serve as necessidades da população. Às 07:00h as luzes estão desligadas, às 17:30h ainda não foram ligadas. De manhã, já há vida na cidade, muitos dirigem-se para os seus empregos de noite cerrada. O mesmo acontece à tardinha, na volta para casa.
Mesmo nas zonas de lazer há pouca luz, muitas vezes por incúria de quem é responsável pela sua manutenção, outra por atos de vandalismo gratuito. Refiro-me à ecopista. Há zonas onde não se vê um palmo à frente dos olhos. Escusado será dizer que este equipamento será pouco ou nada utilizado a partir das 17.00h.
A propósito de luz, não é admissível o tempo que levaram sem funcionar os semáforos junto ao cemitério. Felizmente nada de grave aconteceu, mas dever-se-ia pedir responsabilidades à empresa de manutenção.
Em 2019, a CIMAC, com a contribuição de todos os municípios do distrito, investiu cerca de 21, milhões de euros na substituição da iluminação pública convencional por luminárias de baixo consumo, led, com vista a aumentar a eficiência energética, no que pode ser visto como uma boa prática na luta contra as alterações climáticas. Em causa estava a substituição de cerca de 55 mil luminárias, cuja eficiência energética permitiria pagar o valor investido, em que uma parte da poupança reverte para o consórcio onde se inclui a CIMAC e a outra para os municípios. Neste sentido, é a CIMAC a responsável pela manutenção e substituição dos LED do distrito.
Para o Presidente da Câmara, este projeto, revelou-se um bom projeto, embora assuma que há um problema com os Led, mas que se paga a si próprio.
Para a população, da qual o MCE e a vereadora Florbela Fernandes têm sido a voz, não estamos melhores, antes pelo contrário.
É só passear pelas ruas de Évora. Acompanhados de preferência. É mais seguro!

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