Impasse pós-eleitoral em Espanha

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 11 Novembro 2019
Impasse pós-eleitoral em Espanha
  • Alberto Magalhães

 

 

Nas eleições de ontem, em Espanha, a única surpresa foi à completa ausência de surpresas. Sabia-se que a esquerda seria prejudicada pelo rebuliço catalão e assim foi: o PSOE ficou, ainda, em primeiro lugar, mas perdeu três deputados, quando o plano de Sánchez era reforçar o partido e levar o Unidas Podemos a aceitar uma geringonça. Este último, que anteriormente recusara geringonçar, exigindo um governo de coligação, perdeu sete deputados e juntos, Sánchez e Iglésias, ficam com 155 votos, longe dos 176 necessários para sustentar um governo.

Também se sabia que o PP subiria (e subiu de 66 para 87 lugares) mas que quem ganharia mais com os beliscões catalães ao nacionalismo espanhol seria o VOX (e cumpriu-se, pois ganhou 28 deputados, passando de 24 para 52). As sondagens também vaticinavam a queda do Ciudadanos e não é que caiu a pique (de 57 para 10 lugares)? Pois queriam ser de centro-direita, mas mostraram-se mais nacionalistas que a direita nacionalista face à crise desencadeada pela condenação dos políticos catalães.

A situação, aqui mesmo ao nosso lado, está cada vez complicada. A esquerda não tem maioria sem os partidos das autonomias e independentistas, a direita não tem maioria de maneira nenhuma e o centro vai ficando vazio. Sánchez diz que quer presidir a um governo progressista, mas não se vê como. Já há quem apele a um governo de bloco central PSOE-PP. Seria mais surpreendente do que a nossa geringonça.

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