Incertezas da dívida pública

Sexta-feira, 06 Maio 2022
Incertezas da dívida pública

 

 

O Governo parece agora ter despertado para o problema da dívida pública. Têm sido vários os governantes a mostrar preocupação com a dívida pública. Mas chegaram tarde.

Este é o terceiro governo de António Costa e a dívida não parou de crescer nominalmente desde que este primeiro-ministro assumiu a governação, ainda que num ou noutro momento possa ter estabilizado ou apresentado algum ligeiro decréscimo.

Esta inquietação com a dívida tem as suas razões.

É sinal que os tempos que se aproximam não serão tão fáceis.

Que a política do BCE de aquisição de dívidas públicas tende a sofrer alterações, que o tempo dos juros negativos já passou, que os custos com a dívida tendem a agravar-se, que a inflação veio para ficar, que a União Europeia terá um papel fundamental na reconstrução da Ucrânia passando a ser uma das prioridades da UE, algo que terá impacto no orçamento da UE.

Naturalmente que os países com dívidas excessivas são países mais expostos, mais sujeitos a agravamentos, com menor margem de atuação. É o caso de Portugal que possui a 3ª maior dívida de entre os países que integram a União Europeia.

Mas aqui não poderá haver desculpas.

António Costa teve todo o tempo para poder reformar a administração, para ter obtido resultados.

Ao invés limitou-se a despejar dinheiro sobre os problemas. Bem conhecemos esta forma de resolver problemas, ou melhor, de adiar a resolução de problemas, porque verdadeiramente o país pouco ou nada melhorou.

O aparelho do Estado todos os dias cresce com mais e mais trabalhadores. Como se o problema da administração fosse a falta de trabalhadores. A melhoria dos serviços passa por repensar funcionamentos, por criar sinergias, por criar serviços mais eficientes, por criar um sistema eficaz de compensação dos funcionários mais competentes e mais produtivos, por premiar os melhores. Nada disto tem sido feito.

Não tem havido coragem para controlar ou reduzir a dívida. O montante nominal da dívida tem crescido expressivamente nestes últimos 6 anos. Cresceu num ciclo de tempo em que as condições foram favoráveis. A pandemia só afetou os dois últimos anos, o que não serve de justificação.

Este ano a dívida aumentou, na ótica de Maastricht, 2,8 mil milhões em fevereiro e 1,2 mil milhões em março.

A dívida pública atual, segundo a nota estatística do Banco de Portugal, ascendia em março a 276 mil milhões, com o rácio da dívida a representar 127% do PIB.

Ainda assim, tem sido o crescimento do PIB o principal fator para que o rácio possa apresentar uma tendência de descida. Mas estejamos atentos porque o montante nominal da dívida tem crescido, e esse crescimento deve ser um motivo de acrescida preocupação.

 

Até para a semana

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