Inclusivamente na tropa!

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 01 Outubro 2020
Inclusivamente na tropa!
  • Alberto Magalhães

 

 

Na terça-feira, os três ramos das Forças Armadas receberam uma directiva emanada do Ministério da Defesa, pugnando pelo uso de linguagem inclusiva, não discriminatória, preferencialmente feita de termos neutros quanto ao género. Por exemplo, em vez de “sejam bem-vindos” deverá usar-se “boas vindas a todas as pessoas” ou, quando isto não der jeito, deverá usar-se a forma dupla ‘os-barra-as’ sei lá, ou, por exemplo, ‘os marinheiros e as marinheiras’. Claro, digo eu, que os/as autores/as da directiva, não pensaram bem no que estavam a fazer, já que esta dupla designação – querendo ser inclusiva – acaba por se restringir ao género masculino e ao feminino, deixando de fora todas as pessoas que não se revêem, nem incluem, neste paradigma binário, e se reclamam de dezenas de outros géneros, uns mais fluidos outros nem por isso. Mas adiante.

As associações de oficiais, sargentos e praças, não reagiram nada bem à directiva. Sobretudo porque, dizem, “as Forças Armadas estão a definhar”. Mesmos as militares, talvez por já estarem imbuídas do espírito machista que certamente continua a prevalecer na instituição militar, fruto por excelência da sociedade patriarcal, reagiram desabridamente. Enfim, tal não foi o levantamento de rancho que, João Cravinho, o ministro da Defesa Nacional, já veio dizer ontem que, apesar de considerar as temáticas da igualdade de género “temas importantes”, não atribuía “a mínima relevância” ao documento em causa.

Temo pelo ministro. Isabel Moreira, as Capazes, o BE, o PAN e a célula de causas fracturantes que, infiltrada no seu ministério, produziu, à sua revelia, a irrelevante directiva, devem começar, já hoje, a pedir a sua cabeça. A não ser que se envergonhem.

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