Inda a procissão vai no adro

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 27 Janeiro 2023
Inda a procissão vai no adro
  • Alberto Magalhães

Bernardino Soares, Fernando Medina, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, encheram-se de júbilo com a atribuição a Portugal da Jornada Mundial da Juventude 2023. Comprometeram-se com a criação de condições, acordadas com o Vaticano e com a igreja católica portuguesa, para que fosse possível um evento que reunirá em Lisboa, durante vários dias, cerca de um milhão de jovens, vindos de todo o mundo.

Um acontecimento que, obviamente, projectará internacionalmente o nome de Lisboa e de Portugal, para além de, previsivelmente, trazer ao país centenas de milhões de euros, durante o mês de Agosto. Mais, se tudo correr bem, se não acontecer um desastre organizacional, é provável que futuramente voltemos a ter a visita de muitos destes jovens, quiçá acompanhados da família, multiplicando assim os proventos obtidos pelo país, graças ao investimento inicial: 80 milhões de euros pelo Estado central e autarquias de Lisboa e Loures; e 80 milhões por parte da igreja.

Neste contexto, terá importância o preço de um palco-altar construído fora de prazo, por desleixo dos promotores e, portanto, com preço aumentado? Com seis meses para ter tudo montado – palcos, transportes, alojamentos, alimentação, infraestruturação de águas e esgotos – será tempo para discussões sobre o tamanho da coisa? Será altura de alterar projectos e rever contratos? Não será pior a emenda que o soneto? O espectáculo está montado pelos media e pelo impulso populista de algumas figuras públicas, a começar pelo Presidente da República.

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