INEM – demoras no atendimento

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 06 Abril 2018
INEM – demoras no atendimento
  • Rui Mendes

 

 

Determinados serviços estão obrigados, pela natureza da sua missão, em mostrar constantes melhorias no seu funcionamento.

Não será admissível que determinados indicadores possam piorar. Entre estes serviços estará o Instituto Nacional de Emergência Médica, vulgarmente conhecido por INEM.

Ao prestar um serviço de emergência médica o tempo de atendimento da chamada será um factor importante e não deveria ser admissível que o tempo de atendimento, fosse em que situação fosse, pudesse aumentar.

Mas foi o que terá acontecido em 2017 relativamente ao ano de 2016. Aumentou coisa pouca, só duplicou. Algo absolutamente inaceitável, e em que num contexto diferente daquele em que estamos daria para que todas as hostes se levantassem invocando o drama da situação. Só que com a esquerda tudo é tolerável, a tudo se atribui um cunho de normalidade, até num caso como este em que estão em causa vidas humanas.

Mas o caso não fica por aqui. Confrontado com o brutal aumento deste indicador, o INEM entende que o aumento da ordem de segundos não se reflecte nos tempos globais de resposta às emergências médicas. Incrível esta justificação. Obviamente que o tempo do socorro reflecte todos os segundos, inclusive os que decorrem do tempo de espera do atendimento das chamadas, do tempo necessário para a recolha da informação e todos os demais tempos, e em todos eles existe uma obrigação de melhoria para que o socorro possa chegar no tempo mais breve possível. Qualquer aumento do tempo, em qualquer fase do processo, deverá ser inadmissível, ainda que de um segundo se tratasse.

É que no caso de uma emergência médica um segundo poderá fazer toda a diferença.

Mais, pelo que hoje sabemos este indicador também já se havia deteriorado em 2016, pelo que considere-se que nos dois últimos anos que o tempo de espera do atendimento da chamada de socorro vem aumentando. Como é possível. Quem deverá ser responsabilizado?

E que reacção assistimos por parte do Governo. Nada.

Este é mais um de tantos casos de degradação dos serviços públicos a que o governo não é alheio. Mas quer queira quer não as responsabilidades cabem-lhe em primeiro lugar.

E enquanto não se fizerem ouvir vozes suficientes a questionar é como se nada se passasse. O problema acabará por cair no esquecimento.

 

Aliás, a prática do Governo é só reagir quando existe contestação, e aí o problema resolve-se injectando-lhe a verba que for necessário.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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