Infantes de 40 anos

Nota à la Minuta
Terça-feira, 21 Junho 2022
Infantes de 40 anos
  • Alberto Magalhães

Título do jornal Expresso: “‘A infância pode ir até aos 40 anos’, defende a antropóloga Brenna Hassett.” A senhora, ou talvez ainda seja a menina, exerce no Colégio Universitário de Londres e escreveu agora um livro a explicar ao mundo que a infância até aos 40 não é um fenómeno biológico, é um fenómeno social, que assenta no aumento da esperança de vida e da necessidade de mais tempo para nos prepararmos para profissões mais complexas, como por exemplo a dela.

Claro que a maior parte de nós ainda não tinha dado pelo facto de as pessoas estudarem cada vez mais, de terem filhos cada vez mais tarde e de muitas delas dependerem dos pais, pelo menos parcialmente, até terem cabelos brancos. Temos andado distraídos com outras coisas e esta realidade ululante passar-nos-ia completamente ao lado, não fora a menina Brenna (tenho a certeza que pela sua própria definição ainda é uma menina) chamar-nos sabiamente a atenção para o fenómeno. “A infância é o período em que as pessoas ainda investem em nós e nós não investimos em outras pessoas”, eis a grande lição que a miúda antropóloga deseja ensinar-nos.

O seu caso é exemplar noutro aspecto importante. Ajuda a ilustrar a ideia de que a própria universidade, em muitos sentidos, se tem transformado num jardim de infância e, pelo menos em certas áreas de estudo, permite aos estudantes e professores uma criatividade tão infantil que chega a cair na idiotia.

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