Inflação

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 03 Março 2023
Inflação
  • Rui Mendes

 

A taxa de inflação na zona euro vai dando pequenos sinais de redução. Em fevereiro reduziu 0,1%, fixando-se em 8,5%. Mas, muito acima da taxa registada em fevereiro de 2022, quando se situava nos 5,9%.

Em Portugal a taxa de inflação tem tido um comportamento próximo da verificada na zona euro.

A fórmula adotada pelo BCE para combater a inflação foi através do aumento das taxas Euribor. Desde o início de fevereiro de 2022 que as taxas Euribor estão em crescendo.

Em fevereiro a taxa Euribor média subiu para 2,640% a três meses, 3,135% a seis meses e 3,534% a 12 meses, ou seja, subiu em todos os prazos, o que quer dizer que os empréstimos que foram contratualizados com base na taxa Euribor terão novamente aumentos.

Contudo, o objetivo do BCE, de colocar a taxa de inflação em 2%, só deverá acontecer em 2026, pelo menos é para aí que as estimativas apontam. O que quer dizer que vamos continuar a ter que viver com taxas de inflação altas.

A inflação em Portugal é calculada todos os meses pelo INE através da análise aos preços de um cabaz de bens e serviços que permite verificar o índice de preços no consumidor (IPC) e definir a inflação, resulta, portanto, de um valor final que é uma média. O que quer dizer que existem produtos com aumentos pouco significativos e outros a apresentar elevados aumentos.

Ora, no conjunto de preços de produtos que são analisados pelo INE estão o grupo dos produtos alimentares, sendo que nestes a inflação está nos 21,1%, razão porque é bastante sentido pelos portugueses o aumento da inflação, porque a subida do preço nos produtos alimentares têm aumentos muitos superiores aos outros produtos, produtos estes que os portugueses têm que consumir, pelo que para a larga maioria dos portugueses a taxa de inflação representa mais do que a definida pelo INE, porque não consomem por igual o cabaz de bens e serviços, sendo que a parte que mais consomem daquele cabaz é precisamente a parte que maiores aumentos apresenta.

Por tudo isto as condições financeiras dos portugueses vão-se degradando, porque são os portugueses, enquanto clientes finais, que suportam os custos de uma inflação que apesar de apresentar sinais de algum controlo, continua bastante alta, está assumida por todo o tipo de bens e serviços, e especialmente não deixa de se refletir de uma forma brutal na tipologia de produtos que mais são necessários aos portugueses, os produtos alimentares.

Esta contínua combinação de inflação em alta e das taxas Euribor em crescendo originam que, todos os dias, o número de portugueses com dificuldades também cresça.

Daí que se deverá perceber o forte descontentamento que se vive em tantos setores da sociedade, porque verdadeiramente não estamos condenados a cair na pobreza, mas parece que é para aí que caminhamos.

 

Até para a semana

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