Inflação

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 14 Outubro 2022
Inflação
  • Rui Mendes

 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou a taxa de inflação de setembro, a qual fixou-se em 9,3%. Desde 1992 que a taxa de inflação não apresentava um valor tão elevado, atingiu um máximo dos últimos 30 anos, aumentou em 0,4% relativamente à taxa de inflação verificada em agosto.

O Governo estimou uma taxa de inflação anual, para este ano, de 7,4%. Contudo, ao conhecer-se a taxa de inflação de setembro (9,3%), e caso neste último trimestre do ano não haja redução da taxa de inflação, a estimativa governativa poderá ter sido otimista demais. Com efeitos nefastos na vida das pessoas porque está assumido pelo Governo que os salários não deverão crescer alinhados à taxa de inflação, acredita o executivo, mais uma vez com uma dose elevada de otimismo, que a inflação é transitória e que deverá apresentar uma significativa tendência de queda nos próximos meses.

A verdade é que a taxa de inflação não apresenta sinais de redução, pelo contrário, a taxa de setembro mostra essa evidência.

A verdade é que a inflação não será momentânea como nos foi sucessivamente referido durante o todo o início deste ano, mas ela fixou-se em muitos países, e em Portugal também.

É fácil prever os efeitos de uma inflação alta, desde logo a redução do poder de compra, que se vem sentindo, de forma evidente, desde 2021 atendendo que a inflação em setembro do ano passado já apresentava uma tendência de crescimento, cifrando-se naquele mês em 1,5%. Neste último ano a taxa, quase sempre, apresentou uma tendência de crescimento. Com o início da guerra na Ucrânia a inflação agravou, mas ela já existia em crescendo antes da guerra se iniciar. Houve certamente um forte agravamento, mas o problema já era sentido.

A guerra na Ucrânia veio causar um nível elevado de incertezas, e se existe algo que não convive bem com a economia é a incerteza.

O mais certo é passarmos por um longo período de tempo em que as incertezas provocam instabilidade na economia, porque em tempos de incerteza arrisca-se menos, aumenta a especulação, aumentam as taxas de juros, cai o poder de compra. Dito de uma outra forma ficamos mais ainda pobres, porque é essa a nossa escolha.

 

Até para a semana

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