Informações que gostava de ter

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 11 Junho 2020
Informações que gostava de ter
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, dei por mim a constatar que, sem ter plena consciência disso e muito menos tendo tomado qualquer decisão a respeito, deixei de assistir em directo às conferências de imprensa diárias oferecidas, a horas cada vez mais irregulares, pelo ministério da Saúde. Fartei-me talvez de ouvir informação pouco relevante, em resposta a perguntas de pouco ou nenhum interesse.

Interessar-me-ia sim saber, por exemplo, quantos dos novos casos diários são graves, com recurso a Cuidados Intensivos; e quantos destes casos mais graves pertencem a um ou mais grupos de risco.

Também gostava de saber se, neste segundo trimestre de 2020, o número de mortes não atribuídas à covid-19 aumentou, em relação ao homólogo do ano passado, por falta de assistência médica (por adiamento de cirurgias e consultas e medo dos utentes serem infectados nos serviços de saúde) ou se porventura, no escalão etário de mais de 80 anos, haverá muita morte ajudada pelo coronavírus mas, na ausência de teste, atribuída a outra causa de morte.

Estaria especialmente interessado em saber como estão os ministérios da Saúde e da Segurança Social a lidar com o problema dos lares ilegais ou clandestinos. A propósito, deixo aqui as palavras do cardeal Tolentino de Mendonça, ditas ontem, na comemoração do 10 de Junho: A tempestade provocada pela covid-19 obriga-nos, como comunidade, a reflectir sobre a situação dos idosos em Portugal e na Europa. Eles têm sido as principais vítimas da pandemia e não só porque o seu quadro clínico os coloca como população em risco. Também socialmente os idosos estão transformados em população de risco que não queremos ver: estão mais sós, mais pobres, remetidos muitas vezes para precários contextos de institucionalização, vendo a sua função humana e social esquecidas, quando não desvalorizadas.”

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