Início do ano escolar

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 16 Setembro 2020
Início do ano escolar
  • Alberto Magalhães

 

 

Com a chegada da pandemia em Março, os alunos que frequentavam os nove anos do ensino básico, viram-se afastados da Escola durante seis meses. Ainda estão por avaliar os prejuízos que esta interrupção terá causado, quer ao nível do desenvolvimento das competências sociais das crianças quer no que toca às aprendizagens.

Duas coisas podemos intuir desde já: 1º os prejuízos terão sido especialmente pesados para os alunos mais desfavorecidos em termos tecnológicos, socio-culturais e familiares; 2º terão sido as crianças dos primeiros anos – cruciais para firmar o gosto por aprender e dar passos, geradores de confiança, na aquisição da leitura e escrita – a sofrer mais pelo prolongado confinamento.

Defendi – e não fui o único – que o retorno às aulas não deveria ter começado pelos últimos anos do secundário, mas, precisamente, pelos primeiros anos do básico, ainda por cima: 1º menos afectados pelo coronavírus; 2º libertando os pais para retomarem as suas ocupações profissionais.

Pelo que já pude perceber dos planos governamentais para lidar com a pandemia nas escolas, eles sofrem da mesma ausência de consideração pelos aspectos psicológicos das situações, insistindo na mesma atitude puramente sanitarista, que levou à separação, desde a sala de parto, de mães infectadas e seus bebés, ou que submeteu crianças, acabadas de retirar a famílias negligentes ou abusadoras, a isolamento de 14 dias à entrada de instituições de acolhimento. Reduzir, por exemplo, os intervalos a um mínimo absurdo, é não perceber que isso terá inevitáveis e indesejadas consequências ao nível da impulsividade, da concentração, da disciplina e, claro, do rendimento escolar… sobretudo dos rapazes.

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