Inquérito aos futebolistas

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 30 Outubro 2019
Inquérito aos futebolistas
  • Alberto Magalhães

 

 

Anteontem à noite, um título noticioso televisivo chamou a minha atenção, pela negativa. Rezava, mais ou menos, assim: “Mais de um terço dos futebolistas profissionais não concluiu o ensino obrigatório, mas isso não influenciou os seus rendimentos”. Pensei imediatamente: – ora aqui está um forte incentivo contra o abandono escolar.

Ontem de manhã, já não sei que canal pôs-me a pensar na anedota estatística em que metade da população come um frango por cabeça e a outra metade não petisca nada, obtendo-se a média de meio-frango por bico. A notícia, ainda referindo o mesmo estudo – realizado sob alçada do Sindicato dos Profissionais de Futebol – dizia que, em média, os jogadores ganham 2500 euros limpos por mês.

Ontem à noite, desta vez tive o cuidado de apontar que a fonte era a SIC Notícias, informaram-me que a maioria dos futebolistas ganha mais de 2500 euros líquidos.

Mais tarde, o jornal Público de hoje, esclarecia-me: dos 424 inquiridos, cerca de 1/4 recusaram revelar os proventos, 28,5% admitiram receber mais de 2500 euros (jogando mais de metade destes na I Liga), outro 1/4 disse ganhar entre 1000 e 1500 euros e 14% entre 500 e 1000 (infelizmente o jornal não esclarecia se os valores eram brutos ou líquidos, o que faz a sua diferença). Ou seja, para quem se tem de reformar por volta dos trinta e poucos anos, se tudo correr bem, não parece haver muitos afortunados.

Sem querer tirar conclusões precipitadas – e porque não acredito que haja nas redacções televisivas gente sem o ensino obrigatório completo – parece-me seguro dizer que há por lá muita iliteracia matemática. Isto para não dizer, como um cómico professor de matemática que tive no liceu: – seus burróides aritméticos!

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