Isabel dos Santos e o neo-colonialismo

Nota à la Minuta
Terça-feira, 21 Janeiro 2020
Isabel dos Santos e o neo-colonialismo
  • Alberto Magalhães

 

 

Acusado de pressionar a Ucrânia para interferir nas eleições deste ano, em que concorre à renovação de mandato, ainda suspeito de ter sido auxiliado pela Rússia a conquistar o seu primeiro mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, contra-ataca, gritando “mentira, é tudo mentira, é a maior caça às bruxas da história”. Tal e qual a Joacine.

Mas se fosse negro, explodiria: “racismo, racismo”. Tal e qual a sua discípula Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África, que explicou assim a sua imensa riqueza: “a minha “fortuna” nasceu com o meu carácter, minha inteligência, educação, capacidade de trabalho, perseverança. Hoje com tristeza continuo a ver o ‘racismo’ e ‘preconceito’ da Sic e Expresso, fazendo recordar a era ‘colônias’ em que nenhum africano pode valer o mesmo que um ‘Europeu’”.

Quanto ao ‘Luanda leaks’, ainda agora a procissão vai no adro. Veremos se, em Portugal, ela se move ou pasma. Muitos dos portugueses que bajularam o regime cleptocrático de Angola ou que, simplesmente, preferiram ignorar que o dinheiro investido em Portugal pela oligarquia angolana, com Isabel dos Santos à cabeça, fazia falta para aliviar a miséria da esmagadora maioria do seu povo, continuarão a argumentar que era necessário manter boas relações com um país de imensas riquezas naturais e de imenso potencial económico; continuarão a justificar-se com a crise económica portuguesa e a necessidade de aceitar o investimento angolano, sem olhar à sua origem.

No fundo, tudo não terá passado de um neo-colonialismo manhosamente reverente, de segunda categoria.

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