Já sentíamos a falta do pânico!

Nota à la Minuta
Terça-feira, 30 Novembro 2021
Já sentíamos a falta do pânico!
  • Alberto Magalhães

O país tem vivido num crescente desassossego, provocado pelo aumento de novos casos de covid-19, que já se sabia de antemão aconteceria com a chegada do tempo frio, mas algo agravado pela diminuição das defesas fornecidas pela vacinação. A situação levou à necessidade de retomar, de forma algo atabalhoada, o esforço nacional de vacinação, depois de um prematuro desmantelamento da máquina que funcionara brilhantemente na primeira fase.

Apesar de tudo, a vacinação da quase totalidade da população portuguesa, tem evitado a replicação da situação de Janeiro, mantendo o número de casos graves e de mortes num patamar muito inferior. Mesmo assim, talvez por influência do que se passa em muitos países europeus, onde a população que resiste à vacinação chega a ser maioritária, começaram a ouvir-se vozes de pânico a agourar o pior.

O aparecimento da variante ómicron, veio agora agravar tudo, abalar as bolsas europeias, arrasar a equipa da B-SAD e dar força as vozes que não perdem pitada para culpar de tudo os europeus, no caso o facto de, em África, a vacina ter chegado apenas a 7% da população, ameaçando-nos com o karma de levarmos, no retorno, com a ómicron e outras futuras variantes, quiçá ainda mais mortíferas. Esquecem, estes humanistas enfatuados, que em África, esse continente imenso, as condições logísticas são tão incipientes, com falta de tudo, até de liberdade, e corrupção e violência a mais, que nem o vice-almirante seria capaz de brilhar.

Mas descansem os bem-intencionados do costume, o governo chinês já garantiu que vai oferecer 600 milhões de vacinas e vender a preços de saldo outros 400 milhões, pagos a meias entre os governos locais e os empresários chineses aí estabelecidos ou a estabelecer.

E quem vir nisto pingo de manobra colonialista estará de má-fé. Amanhã continuamos esta conversa.

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