“Jamais poderão aprisionar os nossos sonhos”

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 09 Abril 2018
“Jamais poderão aprisionar os nossos sonhos”
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Esta foi uma semana cheia de acontecimentos que gostaria de poder abordar:
– A sentença do insuspeito tribunal alemão que recusou prender Puidgemont e claramente veio demonstrar que em Espanha os catalães são presos políticos;

– O silêncio da comunidade internacional sobre a extrema violência em Gaza e os ataques israelitas que causaram já mais de 20 mortos e 1500 feridos palestinianos no protesto a que estes chamaram a “Grande Marcha do Regresso”

Ou, por cá, o justo protesto dos agentes culturais contra os resultados do programa de apoio sustentado às artes 2018-2021, com o estrangulamento de muitos agentes e estruturas teatrais, e contra o subfinanciamento da cultura.

Mas a prisão de Lula da Silva, pelo que significa e pelo impacto que terá é, sem dúvida, o facto mais marcante dos últimos dias.

O processo de Lula ultrapassou há muito – para não dizer que nunca teve – a dimensão meramente jurídica.

É um processo claramente político, não apenas contra Lula (que não está acima da lei) mas contra tudo aquilo que ele representa: pela ameaça que constitui a sua governação para os grandes interesses e as oligarquias brasileiras.

Um processo que começou em 2016, com a deposição da Presidente Dilma, por uma violação de regras orçamentais, num golpe parlamentar que colocou, de forma antidemocrática, Temer e a direita no poder.

De imediato começou a ser desmantelada a protecção social e revogada a legislação laboral que protegia os trabalhadores.

Isto apesar de o Governo do PT, com Lula primeiro e depois Dilma ter, como alguém disse, governado com a falsa ilusão de todos poder contentar, fazendo alianças e cedências à direita.

O Brasil está agora a viver os maiores ataques à democracia desde os tempos da ditadura militar, com a violência e a intolerância politicas a aumentarem, num caminho fascizante, como ainda há poucos dias aconteceu com a execução da activista e deputada do PSOL Marielle Franco e do seu motorista.

Lula foi condenado num processo muito contestado por dezenas de juristas brasileiros, não apenas pela falta de provas da corrupção de que é acusado mas também pela violação de normas e princípios constitucionais, e viu -lhe negado o Habeas Corpus, com o poder militar a lançar avisos aos juízes. A prisão foi mandada executar em tempo record.

Lula da Silva, com um sentido político extremo, tomou mais uma vez o destino nas suas mãos e foi ele quem determinou o “onde” e o “quando” da sua prisão. Fê-lo rodeado pelo Povo, transformando o que os acusadores queriam que fosse a sua derrota, num momento de galvanização e num novo patamar de luta:

“A partir de agora minhas ideias vão-se misturar com as ideias de vocês”, foram palavras que proferiu no discurso que fez antes de se entregar.

“O seu pronunciamento …. possibilita que voltemos a sonhar com um futuro em que prosperidade, justiça e igualdade sejam cimentos para a edificação de um outro país…. e anuncia que na verdade tudo só está começando“. Sintetizou assim o Professor Rodrigo Perez Oliveira o discurso de Lula.

A prisão arbitrária de Lula da Silva está a levar muitos trabalhadores para a rua e a gerar um movimento de unidade no combate à intolerância politica e na defesa da liberdade e da democracia.

Como disse Lula “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera. E a nossa luta é em busca da primavera”

Até para a semana!

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