Je suis Samuel Paty

Nota à la Minuta
Terça-feira, 20 Outubro 2020
Je suis Samuel Paty
  • Alberto Magalhães

 

 

Samuel Paty, era professor de Educação Cívica numa escola de Conflans-Sainte-Honorine, perto de Paris. Deu uma aula sobre liberdade de expressão e mostrou duas caricaturas de Maomé que motivaram o ataque ao Charlie Hebdo em 2015. O pai de um aluno, muçulmano, ajudado por um conhecido radical, Abdellhakim Sefrioui, e pela Grande Mesquita de Pantin, montou uma campanha contra o professor, que acabou degolado por um jovem de 18 anos, com pressa em tornar-se mártir do Islão. Morreu, pouco depois de cometer o crime, baleado pela polícia.

As reacções foram as habituais. Manifestações contra o fanatismo religioso e a favor da liberdade de expressão e da tolerância, mas também discursos zangados e violentos contra o islão e, sobretudo mas não exclusivamente, contra o fundamentalismo islâmico.

Além disso, aqui e ali, um tweet contra a vítima: “vai para o Inferno, Samuel depravado”; “ferir os sentimentos de crianças muçulmanas, exibindo-lhes caricaturas do profeta, é abuso infantil, é repelente”; “islamofobia!”. Em Portugal, é como se nada se tivesse passado.

Não devemos culpar a vítima de tão brutal homicídio. Não há desculpa para o seu assassino. Mas talvez tivesse sido prudente, como professor de História, começar por falar da Inquisição e passar por caricaturas de Jesus Cristo ou da tão portuguesa de João Paulo II, com um preservativo enfiado no nariz. Contextualizava! Ninguém se poderia queixar de xenofobia e a blasfémia seria mais repartida.

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