João, Pedro e Zé Pedro não era o justo momento

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 04 Dezembro 2017
João, Pedro e Zé Pedro não era o justo momento
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Foi sombria a última semana de Novembro.

Perdemos 3 nomes grandes da Cultura. Em áreas diferentes, mas todos eles deixaram as marcas impressivas das suas carreiras.

No dia 23 morreu João Ricardo, actor e encenador. Tinha 53 anos.

No dia 24 morreu Pedro Rolo Duarte, jornalista e homem da rádio. Tinha também 53 anos.

No dia 30 foi o Zé Pedro, guitarrista, fundador dos Xutos. 61 anos. Era assim o nosso Mick Jagger,na sua boca grande de sorriso sempre aberto, mas ainda assim com uma boca mais pequena do que o seu grande coração, o seu desassombro e a sua coragem.

Todos três foram antes de tempo, fazendo-me lembrar um pequeno poema de Mia Couto

Morre-se nada
quando chega a vez

É só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
Morre-se tudo
quando não é o justo momento

E não é nunca
esse momento

E essa circunstância de três mortes tão prematuras é uma circunstância que nos deixa mais chocados, mas que também nos deve manter alerta para uma realidade que toca todos e cada um e uma de nós. Todos morreram de “doença prolongada” como dizem normalmente as noticias.

Cancro, uma palavra terrível que se evita, que nos faz tremer a todos. Uma doença que cada vez mais atinge tanta gente.

Segundo a Organização Mundial de Saúde 14 milhões de pessoas sofrem de cancro e quase 9 milhões morrem anualmente desta doença. O número de pessoas atingidas anualmente vai subir nos próximos anos e estima-se que o número de casos aumente 70% nas próximas 2 décadas.

Mas se estes números são assustadores, também é certo que o número de casos de cura tem aumentado, que quando há deteção precoce a taxa de cura é cada vez mais elevada: No cancro da mama detectado na fase inicial a cura atinge os 98%. E a ciência tem também vindo a fazer progressos significativos.

Em Portugal há meio milhão de portugueses sobreviventes de cancro. Há, portanto, esperança.

Uma Esperança a exigir de todos nós uma maior consciência quanto aos riscos de certos comportamentos e a lembrar-nos que temos todos e todas a obrigação de apostar na prevenção;

Uma Esperança a exigir que se canalizem mais recursos para a deteção precoce e, portanto, que se realizem mais rastreios, mais frequentes e que abranjam mais pessoas.

Uma Esperança a exigir melhores tratamentos e em tempo útil.

A exigir que o Serviço Nacional de Saúde seja dotado dos médicos, dos técnicos e dos meios suficientes. É neste reforço da saúde pública que temos que nos empenhar para que a esperança dê frutos.

Se fizermos tudo isto, acabamos com a doença? Para já não, mas seguramente minoraremos muito os seus efeitos.

Novembro e o cancro levaram-nos três dos nossos melhores. Por eles e por nós temos obrigação de nos empenhar mais no seu combate.

Até para a semana

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