Joe Biden e o Papa Francisco

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 10 Maio 2021
Joe Biden e o Papa Francisco
  • Alberto Magalhães

 

O discurso de Joe Biden ao Congresso americano, na véspera do seu centésimo dia na Casa Branca, caiu bem em muitos dos seus eleitores mais empenhados e agradou à opinião pública europeia. Duvido que tenha agradado a alguns dos que votaram nele e aposto que alarmou e enfureceu a esmagadora maioria dos americanos que votaram em Donald Trump, convencendo-os de vez de que têm um comunista na Casa Branca.

Claro que, tal como na Europa, a pandemia e as suas consequências sanitárias e socio-económicas justificam o reforço do papel do Estado central. Sem dúvida, a maioria das medidas propostas por Biden poderiam fazer parte do modelo de estado social de um qualquer país europeu. Mas, o apreço com que os democratas mais radicais receberam o discurso e o cerrar de fileiras dos republicanos em torno de Donald Trump sugerem que o presidente poderá ter dificuldade em ser reconhecido como um moderado, capaz de unir a América de novo, mantendo credível, para boa parte dos americanos, a imagem de um presidente idoso e inseguro, manipulado por perigosos esquerdistas, que Donald Trump se esforçou por criar.

Curiosamente, nos últimos dias, Joe Biden, assumidamente católico, e o Papa Francisco apelaram ao levantamento das patentes das vacinas contra a Covid-19, uma medida imensamente popular na esquerda mais anticapitalista. Termino, citando o título de um artigo do Washington Post, reproduzido no Público de ontem: “Levantar as patentes das vacinas é uma boa ideia? Bem, é complicado”.

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