Johnson & Corbyn

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 26 Setembro 2019
Johnson & Corbyn
  • Alberto Magalhães

 

Para se perceber por que razão alguém disse que “a mãe de todos os parlamentos [o Parlamento do Reino Unido] foi desrespeitada pelo pai de todos os mentirosos [Boris Johnson]”, basta lembrar que Boris, depois de ter abandonado o governo de Theresa May, berrando que o acordo de saída da UE, esforçadamente obtido por ela, era “um colete de bombas amarrado à Constituição”, no fim de Março, quando May prometeu demitir-se se o seu acordo fosse aprovado à terceira tentativa, estava já disposto a virar a casaca, só para vê-la pelas costas e tomar o seu lugar.

Mas o actual primeiro-ministro britânico, além de padecer de uma elasticidade extrema em relação à verdade, é um político perigoso. Não hesitou em suspender o Parlamento durante 5 semanas e não hesitou em proclamar que desobedeceria à lei, por este aprovada, que o obriga a pedir à União Europeia um adiamento de três meses, se não tiver obtido um acordo até meados de Outubro. Também não hesitou, ontem, em dizer que o Parlamento “está morto” e que o Supremo Tribunal está errado. Tudo isto, depois de ser considerado culpado de ter agido ilegalmente.

Também Corbyn, o líder do partido Trabalhista, é um perigo para o seu país, mas por razões diferentes. Com sondagens a darem ao seu partido apenas cerca de 20% dos votos numas próximas eleições, recusa-se a perceber que a única hipótese que tem de ser primeiro-ministro consiste em abandonar a partitura marxista, incluindo a nacionalização de todas as escolas privadas do país, e assumir-se como defensor da permanência do Reino Unido na União Europeia, com ou sem um segundo referendo.

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