Julgar o Governo

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 22 Fevereiro 2019
Julgar o Governo
  • Rui Mendes

 

 

Temos bem presente que a moção de censura é um instrumento político que visa reprovar a gestão de um assunto por parte do Governo, e que a sua aprovação tem com como consequência a demissão do Governo.

A moção de censura ao Governo apresentada no passado dia 15 pelos democratas-cristãos é bem clara na apreciação negativa que faz da acção governativa, particularmente do sector da saúde.

A moção apresentada pelos centristas relata o que tem sido a governação referindo logo no seu início:

“O Governo está esgotado. É um Governo que cria problemas e é incapaz de encontrar soluções. As críticas dos partidos que constituem a sua base de apoio são constantes, a paz social está em rutura e vários sectores da nossa sociedade exasperam com a arrogância e a falta de diálogo do executivo.”

É isto que de facto acontece. O Governo não tem soluções para os problemas do país, Portugal vive em permanente clima de tensão social, sendo que desde o início de 2018 foram entregues 372 pré-avisos de greve.

O discurso do “virar a página da austeridade” já não é levado a sério por ninguém. Este Governo fez com que o endividamento do país aumentasse, que crescesse a carga fiscal, e que as cativações tivessem um efeito paralizante nos serviços públicos.

Em resultado os serviços públicos são menos eficientes, o consumo está sustentado no crédito, o número de famílias sobre endividadas aumenta todos os dias.

As expectativas e promessas dadas aos funcionários da administração pública aguardam, ano após ano, por uma resolução. O congelamento salarial mantém-se. Pelo que o descontentamento é generalizado, está por toda a administração.

Na saúde tudo tem piorado.

A dívida do SNS a fornecedores e credores disparou, um  agravamento de 51,6% face a 2014.

As listas de espera para consultas e cirurgias em muitos dos hospitais públicos atingem níveis dramáticos.

A ADSE está desestabilizada e é hoje uma preocupação para mais de um milhão de portugueses, que pagam para que aquele sub-sistema lhes porporcione segurança na saúde.

E este estado caótico em que se colocou a saúde deve-se também porque este Governo quer retirar o sector social e o sector privado da prestação de cuidados públicos de saúde. Ou seja, necessariamente os prazos para a prestação de cuidados irão crescer e a qualidade dos serviços irá diminuir.

Para o Governo a qualidade dos serviços não conta.

É um Governo que falha às pessoas, mesmo nos sectores em que Portugal se distinguia dos demais países, casos da segurança e da protecção civil.

A moção de censura apresentada reflete bem o que preocupa os democratas-cristãos.

O PS bem quiz desviar as atenções dizendo que a moção nada tinha a ver com a disputa do Governo. Mas enganou-se, os fundamentos da moção de censura relatam bem o estado em que este Governo colocou o país.

O chumbo da iniciativa do CDS de censurar o Governo, com 115 votos contra e 103 a favor, poderá não ter tido o seu principal efeito, o de demitir o Governo, mas teve um efeito politico que é o de, por via do voto, esclarecer quem está com quem e vincular os partidos ao sentido do seu voto.

Mais uma vez os centristas obrigaram PCP, BE, PEV e PAN a ter que dizer onde estão e, mais uma vez, mostrar as suas incoerências, porquanto ora louvam o Governo pela sua acção governativa, ora o criticam e o apelidam de praticar políticas de direita, isto para manterem o seu ADN de partidos de protesto. Contudo, ainda que a moção atinja em particular a área da saúde, a qual está reconhecidamente um caos, tiveram que votar contra porque estão reféns do apoio ao Governo.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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