Justas lutas que degeneram

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 15 Março 2019
Justas lutas que degeneram
  • Alberto Magalhães

 

 

Tendo, desde criança, ouvido dizer que “o Homem é um animal racional” (o que, nesses tempos pré-igualdade-de-género, abrangia indubitavelmente tanto homens como mulheres), durante a minha juventude transbordei optimismo, convencido de que, pouco a pouco, as pessoas e os povos ganhariam juízo e que, com a ajuda da ciência, da tecnologia e da educação humanística, fariam finalmente justiça à definição de “animal racional”.

As últimas décadas, confesso, têem-me desenganado. Não falo já de guerras, genocídios, radicalismos terroristas e ressurgimentos totalitários. Refiro-me, por exemplo, a lutas que, no passado, apoiei, por as ter como justas, e que encontro hoje tão radicalizadas que já me não posso rever nelas.

A crítica do excessivo poder médico deu azo ao movimento anti-vacinas e ao florescimento de mil (pseudo)medicinas alternativas. O feminismo da luta pela igualdade de direitos e deveres, transformou-se no ódio à masculinidade e numa absurda ideologia de género. A luta pela contracepção, derivou no direito feminino a ter filhos de pai anónimo, no direito masculino de ter crianças de mãe anónima e no dever de crianças se aguentarem a ter duas mães e zero pais, ou vice-versa. A luta contra a educação autoritária, refinou na falta de regras e limites para crianças e adolescentes e no poder infantil indomado.

A lista não cabe toda nesta nota, mas sempre lhe digo que hoje teremos uma greve infanto-juvenil, apelidada de Greve Climática Estudantil, pois o que está a dar são adolescentes de nariz arrebitado virem, como a sueca de 15 anos, Greta Thunberg, obrigar os pais a baixarem, tipo, a temperatura do planeta Terra. Já!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com