Lá vamos nós de novo!

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 22 Dezembro 2021
Lá vamos nós de novo!
  • Alberto Magalhães

 

 

Desde o início da pandemia que tenho a sensação de que as medidas que o Governo vai tomando estão dessincronizadas com as reais circunstâncias. Muitas vezes, para seguir a opinião de especialistas em vírus e epidemias, mas, pouco mais que curiosos em dinâmicas psicossociais e completamente retrógrados na forma de comunicar com os cidadãos. Outras vezes, para agradar aos eleitores mais timoratos, que pediam – e continuam a pedir – medidas mais rigorosas e mão pesada contra os transgressores.

Depois de asneiras imensas, como a abertura natalícia do ano passado, quando a vacinação ainda não começara, ou o descalabro dos festejos leoninos, quase todos os especialistas televisivos e demais autoridades sanitárias, resolveram jogar pelo seguro e manter a população sobre pressão, precisamente quando, paradoxalmente, os grupos de maior risco já estavam vacinados.

O Governo lá percebeu, finalmente e com atraso, que era preciso gerar um Dia da Libertação no final de Setembro. Só que logo chegou o frio e, vinda de Belém-SAD há três semanas, apareceu a variante Ómicron que, hoje, representa já quase metade das infecções em Portugal. Toca de lançar de novo o pânico pois, na dúvida, a moda é seguir o Princípio da Precaução: se a Ómicron pode ser um perigo, então tratemo-la como sendo um perigo, apesar dos casos graves não subirem proporcionalmente ao número de novas infecções e dos óbitos serem escassos. De certeza certa, 12 óbitos com a variante papão, no Reino Unido. Em Portugal ainda não encontraram nenhum.

Ora, sucede que a Ómicron apareceu quando já se sabia que nos mais idosos a imunidade das vacinas baixava ao fim de uns meses. Mas o reforço, em princípio destinado só para os grupos de risco, estava empastelado depois da saída de Gouveia e Melo. Na tentativa desesperada de sincronização com o Papão Ómicron, aumentam-se as exigências de testagem em certas situações, mas os testes existentes não dão para as encomendas. E os centros de vacinação, também não. Quem se lixa? O mexilhão.

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