L’affair Mila

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 07 Fevereiro 2020
L’affair Mila
  • Alberto Magalhães

 

 

Mila, uma miúda francesa de 16 anos de idade, no dia 18 de Janeiro, falava com uma amiga no Instragam, que lhe dizia não gostar de árabes. Terá respondido que também não faziam o estilo dela. Um tipo meteu-se na conversa, chamou-lhes lésbicas, racistas e insultou-as com os piores insultos. Segundo Mila, o rapaz levou a conversa para a religião e ela disse-lhe o que pensava da religião em geral e do islão em particular. “uma religião de ódio, uma religião de merda”. Disse-lhe também que não era racista, “que não se pode ser racista de uma religião”. A seguir à conversa, Mila fez um vídeo a contar a cena e pô-lo online. Escusado será dizer que Mila recebeu milhares de ameaças de morte, nunca mais voltou à escola e está, com a família, sob protecção policial.

Mais consequências? Bom, o procurador, abriu um inquérito pelas ameaças de morte mas, paralelamente, abriu outro contra ela por “incitamento ao ódio racial”, arquivado dias depois porque se apurou que ela apenas tinha exprimido “uma opinião pessoal sobre uma religião”.

Mas a ministra da Justiça, Nicole Belloubet, também começou por dizer que “o insulto à religião é, evidentemente, um atentado à liberdade de consciência”, para mais tarde reconhecer que não deveria ter posto em causa o direito de criticar uma religião. Já Ségolène Royal, candidata à presidência do Partido Socialista, vencida por Nicolas Sarkozy em 2007, exprimiu a opinião da esquerda multiculturalista bem-pensante: “recuso-me a tomar uma adolescente mal-educada como paradigma da liberdade de expressão”. Felizmente, o secretário-geral do PS, Olivier Faure, assumiu outra posição “Je suis Mila”, disse ele. Eu acompanho-o.

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