Lição de democracia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Março 2017
Lição de democracia
  • Rui Mendes

 

A Holanda foi a votos na passada quarta-feira e os europeus tranquilizaram.

A Holanda manter-se-á como país europeísta e dá assim um sinal claro da necessidade da continuidade da construção do projecto europeu e da zona euro.

Naturalmente que houve vencedores e vencidos, como em todas as eleições, e ainda que o Partido da Liberdade e Democracia (VVD) de Mark Rutte tenha sofrido uma perda significativa de votos, resultando na perda de 8 deputados, não deixa de ser o grande vencedor, porque ganhou as eleições por uma larga margem em relação ao segundo partido mais votado, o Partido da Liberdade, de extrema-direita, de Geert Wilders, que embora tenha tido uma subida, não conseguiu aproximar-se do VVD.

Registe-se também a subida do Partido Cristão Democrata (CDA), dos Democratas 66 (D66) e da Esquerda Verde, e a estrondosa derrota do Partido Trabalhista que reduz a sua representação parlamentar de 38 para 9 lugares.

Estas eleições foram importantes para a Holanda, mas também o foram para a Europa pelo sinal de clarificação que deram a toda a Europa e ao mundo sobre o caminho que os europeus pretende seguir, num tempo em que cada vez mais vamos assistindo a discursos e atitudes extremistas.

A subida dos partidos mais extremistas, à esquerda ou à direita, é um facto que importa não desvalorizar, mas que será apenas um sinal de preocupação enquanto forem franjas dos sistemas.

À que conviver com o problema porque ele existe por toda a Europa.

Nos países do sul tivemos a subida dos partidos de extrema-esquerda, no centro da europa deu-se a reacção por via dos partidos de extrema-direita.

Muito mais do que populistas estes partidos são radicais. Pelas posições que tomam, pelo discurso que apresentam, um discurso anti imigração, anti islão, anti europa, anti euro, sempre contrário a algo que se pretende construir a bem dos povos.

Os holandeses deram-nos uma lição de democracia. Votaram num dia

de semana e mobilizaram-se para expressar a sua vontade ao ponto de terem votado mais de 80% dos eleitores, e terem dividido os seus votos de modo a obrigarem a que um futuro governo tenha que ter um apoio de um número vasto de partidos, o que será uma condição de permanente controlo democrático.

Seguem-se as eleições em França, em Abril e, posteriormente, em

Setembro, na Alemanha, mas após estas eleições a Europa terá razões para acreditar que o projecto europeu terá o apoio que necessita.

A verdade é que o país da laranja mecânica deu à Europa uma lição

da mecânica da democracia.

Até para a semana

Rui Mendes

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