Livre e Chega em simetria

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 09 Janeiro 2020
Livre e Chega em simetria
  • Alberto Magalhães

 

 

Como Donald Trump, mais uma vez, fez asneira, disfarçou com voz grossa e acabou a piar fininho, o mundo pôde suspirar de alívio e o preço do petróleo voltar a descer. Provisoriamente, claro. Aproveito o interregno para falar de outras coisas. Hoje quero falar de homicídios. Crimes raros em Portugal, por comparação com quase todo o resto do mundo. Os homicídios de que vos quero falar são dois. As vítimas, jovens estudantes universitários, um caloiro e outro finalista. Um morreu numa rixa à porta de um bar de Bragança, o outro foi esfaqueado no Campo Grande, em Lisboa, ao resistir a um assalto. Ambas as cenas se passaram nos últimos dias de 2019.

Falo deles e das suas estúpidas mortes, para vos falar de dois dos novos partidos com assento parlamentar e de como os extremos, muitas vezes, se tocam. O Livre e a sua deputada Joacine Katar-Moreira veio a público estranhar a falta de relevo dado nos media ao crime de Bragança, avançando com a hipótese de se tratar de um crime racista, já que a vítima era de Cabo Verde. Isto, apesar dos factos conhecidos tornarem pouco provável essa hipótese. A morte do outro jovem, branco, assaltado e esfaqueado por três guineenses, não mereceu lamento de Joacine ou do seu partido.

Ao contrário, o jovem acabado de se licenciar em Engenharia Informática, mereceu do Chega e do seu deputado André Ventura, atenção semelhante à que o jovem cabo-verdeano teve do Livre. Aqui, a ênfase esteve na falta de segurança e, claro, a morte teve direito a apresentação de um voto de pesar pelo deputado. Em perfeita simetria com a deputada Joacine, o deputado Ventura não reparou na morte do jovem caloiro em Bragança. Em perfeita consonância com a deputada Joacine, o deputado do BE, José Soeiro, e a inefável Isabel Moreira do PS, também só repararam no pretenso crime racista. O pior cego é o que só vê o que lhe convém.

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