Lixo e mais lixo

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 10 Julho 2024
Lixo e mais lixo
  • Maria Paula Pita

Depois da festa, voltamos à normalidade!
Andar pelas ruas de Évora, quer no Centro Histórico quer pelos bairros, é uma experiência inolvidável. Não pelo património, mas pelo lixo que prolifera pelas ruas, nos contentores, ao lado dos contentores, nos largos, nas clareiras…enfim, por todo o lado.
O Presidente escuda-se nos 9 camiões avariados o que dificulta a recolha e a realização dos circuitos habituais. De facto, com mais de metade da frota avariada, como se pode manter uma cidade limpa?
Mas como chegámos a esta situação? Como se permitiu que a Divisão de Higiene e Limpeza chegasse a este estado? Sem camiões. Sem brigadas suficientes para garantir os mínimos de salubridade. A incompetência é de quem? Das chefias intermédias ou da própria câmara? Não retiro culpa a quem chefia a divisão mas, não tenhamos qualquer dúvida, é incompetência do município. Neste mandato, o executivo CDU mostrou uma total incapacidade de planeamento e de investimento neste setor. Se não se consegue com trabalhadores da câmara, têm que se lançar concursos a empresas de limpeza, a preços adequados, concorrenciais, com um caderno de encargos bem definido. E depois, supervisionar. Ter a certeza que cumprem. É isso que se passa? Não! A prioridade da CDU não é melhorar a qualidade de vida dos eborenses. A prioridade do executivo é a Cultura.
E as Juntas de Freguesia urbanas? Para além de fazer aprovar recomendações, na Assembleia Municipal, para que a câmara publique Informações, contendo “compete à Câmara Municipal de Évora garantir a gestão dos serviços de limpeza no perímetro urbano, alínea a) do artigo 29.o do Regulamento Municipal de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública”, o que fazem? Nada, ficam-se num passar de culpas para a câmara, inocentando-se, pensam eles, perante os fregueses e a população.
Mas será mesmo assim? Recomendamos a leitura das alíneas f e ff, do artigo 16º, Competências materiais das freguesias, da Lei nº 75/2013 de 12 de setembro, especialmente a alínea ff), Proceder à manutenção e conservação de caminhos, arruamentos e pavimentos pedonais. Talvez esteja na hora das Juntas deixarem-se de festas e chegarem-se à frente, à semelhança do que as Juntas rurais fazem. Esquecerem a política partidária e irem ao encontro das necessidades das pessoas.
Vão dar uma volta, como faz o MCE frequentemente, e vejam como estão as ruas da Azaruja, de Nossa Senhora de Machede, da Vendinha… Se têm problemas com pessoal? claro que sim. Estas juntas não têm dinheiro. Se têm problemas com a recolha do lixo para Évora? Claro que sim. Passam-se semanas para o camião passar por lá. Baixam os braços? Não.. São Presidentes de Junta e têm que zelar pelo bem estar dos seus fregueses. Têm que cuidar das suas freguesias. Foi para isso que foram eleitos, não para serem presidentes de comissões de festas, como acontece nas Juntas Urbanas. Tanto criticam o executivo CDU por dar prioridade à cultura, mas afinal fazem o mesmo, à sua escala.
Falta um ano para as autárquicas. Será a altura ideal para as Juntas Urbanas mostrarem o que podem fazer para o bem das freguesias e da cidade. Não conseguem fazer muito, fazem menos! Mas dão o exemplo na luta contra a lixeira em que se está a tornar a nossa cidade.

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