Maduro tremeu, mas não caiu

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 02 Maio 2019
Maduro tremeu, mas não caiu
  • Alberto Magalhães

 

 

Aparentemente, Maduro tremeu, mas não caiu. O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, criou expectativas de ter o poder militar ao seu lado para restabelecer a legalidade democrática, expectativas que não se cumpriram. O que terá acontecido? Usou simplesmente de um bluff, que lhe pode retirar credibilidade, ou estava genuinamente convencido de que iria ter o apoio dos militares? O jornal online, El Espanol, aponta uma explicação para o que se passou nos últimos dois dias, com base em declarações de Sergio Contreras, coordenador em Espanha do Voluntad Popular, partido de Guaidó.

Haveria já um acordo entre Trump e Putin, Guaidó e Maduro, que previa a saída deste último do país. A Rússia teria aderido depois de receber garantias de que lhe seriam pagos os empréstimos que tem feito à Venezuela. Mikael Moreno, presidente do Tribunal Supremo, comprometera-se a declarar ilegítima a Assembleia Nacional Constituinte, e Hernández Dala, chefe das secretas militares, garantiria a transição pacífica, em conjunto com o ministro da Defesa, Padrino López.

Quem terá estragado os planos, terá sido o número dois do chavismo e rival de Maduro, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, com grande influência nas chefias militares e que, sendo alvo de um mandado de captura emitido pelos EUA, que o acusam de liderar uma rede internacional de narcotráfico, ter-se-á – obviamente – recusado alinhar com o plano. Também o ministro do Poder Popular, Tareck El Aissami, de origem libanesa, putativo elo de ligação do regime ao Irão e ao Hezbolah, ter-se-á negado a baixar os braços.

Toda esta narrativa, ajustando-se razoavelmente ao pouco que fomos sabendo, pode ser simplesmente a mais pura contra-informação. Aqui fica a história, aqui fica a advertência.