MAI

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 10 Dezembro 2021
MAI
  • Rui Mendes

 

O ministro da Administração Interna demitiu-se do cargo no passado dia 3.

Fê-lo a dois meses de se realizarem eleições legislativas e a pretexto do conhecimento do despacho de acusação do Ministério Público ao acidente na A6 em que esteve envolvido em 18 de junho, de que resultou uma vítima mortal, um trabalhador que se encontrava a realizar trabalhos de manutenção naquela autoestrada.

Eduardo Cabrita esteve no MAI durante pouco mais de quatro anos e durante esse período não faltaram casos que envolveram o MAI e que puseram sempre o ministro debaixo de fogo.

Foram vários os casos que o desgastaram. As golas inflamáveis, a morte de um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa quando estava sob detenção de elementos do SEF, a forma como foi decretada a requisição do Zmar e como foi efetuado o confinamento obrigatório e o isolamento profilático em Odemira, a permissão dos festejos do Sporting, e tantos mais. Mas também como foram geridos dossiês como o SIRESP ou a extinção do SEF.

Cedo se percebeu que Eduardo Cabrita tinha poucas condições para exercer o cargo. Desde logo pela sua postura de arrogância e pela falta de bom senso.

A demissão do cargo de ministro foi uma coisa sempre esperada.

O país por várias vezes o exigiu.

Não faltaram razões fortes a António Costa para substituir Eduardo Cabrita ao longo dos últimos anos. Mas António Costa teimosamente segurou Eduardo Cabrita. Vá lá saber-se as razões porque sucessivamente o fez.

O certo é que durante todo aquele período foi o primeiro-ministro a segurar o ministro da Administração Interna. Por várias vezes viu-se um ministro em absoluta desgraça. Ainda assim continuou ministro da Administração Interna.

Contudo, as eleições que se aproximam vieram definir o destino de Eduardo Cabrita. Doutra forma não faz sentido substituir um ministro quando faltam apenas dois meses para este governo cessar funções.

Eduardo Cabrita sai por uma minúscula porta.

Os socialistas não podiam aparecer em campanha eleitoral com um ministro que foi um absoluto desastre.

Para mais, ganhar as eleições é a condição para manter o poder, e isso é fundamental para um partido que garante um elevadíssimo número de lugares políticos.

Particularmente o que nos foi dito com esta demissão é que as eleições são de fundamental importância para os socialistas, pese embora a queda de um dos fiéis a Costa.

Como agora dirão o contrário do que fizeram. Porque se um Governo de 70 membros era bom, agora Costa já diz que o próximo Governo “terá uma equipa governativa renovada, mais curta e mais ágil”. O que quer dizer que este foi um Governo extenso e pouco ágil, logo pouco eficiente. Que se ficou por conhecer a razão da existência de algumas pastas governativas. Que os portugueses cedo o perceberam, mas que Costa só agora alcançou, porque a proximidade de eleições obriga a corrigir o discurso e, quiçá, o alinhamento.

 

Até para a semana

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