Mais ambiente na agricultura

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 08 Fevereiro 2024
Mais ambiente na agricultura
  • Alexandra Moreira

Esta terça-feira, dia 6 de fevereiro, foi dia de más notícias, vindas da Comissão Europeia (CE), em matéria de proteção do ambiente e, portanto, do nosso futuro coletivo.
Ursula von der Leyen anunciou duas decisões que representam um duro golpe nos objetivos traçados no âmbito do Pacto Ecológico Europeu: o setor agrícola fica liberto de reduzir o uso de pesticidas em 50% até 2030 e de cumprir metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa (recorde-se que estava prevista a redução em 30% até 2040).
Como vem sendo assinalado, tratou-se, efetivamente, de cedências de Bruxelas aos agricultores que, um pouco por toda a Europa, se vêm manifestando ruidosamente.
Mas, em boa verdade, essas decisões eram já esperadas depois de, em novembro passado, o Parlamento Europeu ter rejeitado a proposta da CE relativa à redução do uso de pesticidas, e de se conhecerem os entraves colocados no seio do Conselho por alguns ministros da agricultura de visão estreita, grupo no qual se insere a governante portuguesa.
Ou seja, o processo legislativo estava já comprometido, não bastando o impulso empenhado da Comissão.
Os ambientalistas têm, com toda a razão, lamentado aquilo que encaram como retrocessos da política ambiental comum.
Não esqueçamos, porém, que a construção europeia se vem fazendo não só de avanços, mas também de recuos e aparentes retrocessos. Se atentarmos nas palavras de Von der Leyen, as metas para a agricultura ao invés de terem caído por terra, irão aguardar, sim, momento próprio. O objetivo imediato será, agora, aprofundar o diálogo entre agricultores e ambientalistas sob a chancela da CE.
A par dessa iniciativa, entendo que é fundamental a adoção de medidas de agravamento sobre os produtos agrícolas oriundos de países terceiros à UE, que não cumpram os mesmos requisitos.
A implementação da Estratégia «do Prado ao Prato», que é a pedra angular do Pacto Ecológico Europeu, destinada a promover um sistema alimentar sustentável, devia ser um objetivo em que todos – dos produtores aos consumidores – devíamos estar empenhados. Cabe aos responsáveis públicos esclarecer, promover, regular.
É por demais evidente que os governantes de grande parte dos Estados-Membros não têm cumprido a missão de fazer ver aos agricultores que não têm futuro sem a necessária adoção de boas práticas ambientais. E também não lhes têm facultado o necessário apoio técnico nem os meios financeiros à reconversão.
O exemplo português é bem sintomático dessa atávica falta de horizonte: basta citarmos o recente corte de 35% dos apoios às medidas agroambientais.
Enquanto, por cá, insistirmos – governantes e organizações do setor agrícola – em estar de costas voltadas para o Ambiente, o futuro dos agricultores nacionais continuará a prazo.

Até para a semana!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com