Mais responsabilidade e menos orçamento!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 25 Novembro 2020
Mais responsabilidade e menos orçamento!
  • José Policarpo

 

 

É ou não possível a realização de eventos de natureza política durante a tutela do estado de emergência? Com o devido respeito por quem tenha opinião diversa da minha, o regime jurídico que dá força legal a esta matéria, não os impede.

Contudo, debaixo de uma pandemia sanitária com a natureza daquela em que vivemos, o que determina o bom senso? Não restará dúvida alguma, à luz do propalado pela ciência, que eventos com pessoas em espaços fechados, não devem ter lugar. Ponto.

O povo português, obviamente, que dele destacam-se indivíduos de “fino metal”, mas a média, na qual eu me incluo, é sofrível e foi tutelado sempre por regimes castradores do pensamento divergente. Por isso, a responsabilidade individual fora alienada ao Estado nas suas diferentes formas de regime político.

A monarquia totalitária durou, apesar de caduca, até 1820. Por outro lado, a constitucional teve o seu crepúsculo no ano de 1910. A primeira república, com toda a instabilidade política que a caracterizou, terminara em 1933. A segunda república, o designado Estado Novo, fora interrompida pela revolução de 1974. Embora em democracia, desde então, o povo português nunca se libertou verdadeiramente de uma herança repleta de distorções sociais, económicas e culturais.

O certo é que, com o contrato social firmado e vertido na constituição de 2 de abril de 1976, os direitos dos administrados ficaram “blindados”, diria eu, e bem. Porém, a assunção dos deveres que decorrem e emanam dos direitos, a generalidade da população, ainda tem muita relutância no seu cumprimento. Poder-se-á responsabilizar o poder político, talvez, porque na mais das vezes, não dá o exemplo devido. Porém, a sociedade civil tem a obrigação de reconhecer o que é melhor para si sem esperar pela recomendação, ou pela punição.

Com efeito, a realização de um evento político nas atuais circunstâncias, uma crise sanitária sem precedentes nas últimas décadas, não só é avisado e sensato, como também manda a boa consciência cívica, não devia ser objeto de ponderação, quanto mais a sua realização.

Dito isto, o poder político e a comunidade em geral, independentemente, do enquadramento legal vigente, só poderão desaconselhar a realização de um evento político com dezenas de pessoas e em recinto fechado, em razão da crise sanitária existente. Ao invés, se não o fizerem, ficarão todos ligados, umbilicalmente, a um ato, que para além do perigo potencial que cria, fica a sensação de que há uns mais do que os outros.

Não se queixem, contudo, se as coisas correrem mal nos demais setores da sociedade. A restauração e afins, como o comercio tradicional, estão muito próximos de entrarem em desespero com a crise financeira que lhes caiu em cima de forma contundente e sem saída à vista. Tenham juízo por favor. Um orçamento não é tudo vida!

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