Manipulação do Papa emérito?

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 16 Janeiro 2020
Manipulação do Papa emérito?
  • Alberto Magalhães

 

 

A acreditar no arcebispo alemão Georg Ganswein, secretário particular do Papa emérito Bento XVI, este terá escrito, a pedido do cardeal guineense Robert Sarah, um pequeno texto defendendo a importância do celibato dos sacerdotes, que o cardeal – um dos principais opositores do Papa Francisco – aproveitou para publicar um livro em co-autoria com Bento XVI, certamente devido a um (e cito) “mal-entendido, sem questionar a boa-fé do cardeal Sarah”…. Claro, íamos lá agora questionar a boa-fé do distinto cardeal!

Curiosamente, sabe-se que Francisco tem de tomar, em breve, posição sobre a abertura do sacerdócio a homens casados onde exista escassez de vocações, proposta aprovada no Sínodo da Amazónia. Tendo percebido a maldade que o levaram a fazer ao sucessor e lembrando-se, talvez, de ter prometido manter-se em silêncio e leal ao novo Papa, Bento XVI terá já pedido para que o seu nome seja retirado da capa do livro do cardeal Sarah.

Também curiosamente, Bento XVI foi o primeiro a introduzir uma excepção na regra do celibato, para padres anglicanos casados que se convertam à Igreja Católica. Talvez seja mesmo este o argumento mais forte dos que defendem que o Papa emérito terá sido manipulado pelo ardiloso cardeal.

Tudo isto significa que o pontificado de Francisco está a ser cada vez mais atribulado. Aliás, basta dar uma vista de olhos pelos comentários às notícias online sobre estes eventos para perceber o nível a que a contestação a Francisco desceu. O celibato, não sendo um dogma de fé, é regra da igreja desde há quase 900 anos. Não é certamente o maior dos problemas da Igreja Católica. É apenas um pretexto.

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