Manta de retalhos

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 01 Julho 2020
Manta de retalhos
  • José Policarpo

 

 

A ligação pedonal que, também é ciclovia, entre o Bacêlo e a cidade, o centro histórico, é uma decisão muito meritória e, por isso, deixo aqui o meu franco aplauso à Câmara Municipal de Évora.

Na verdade, esta infraestrutura permitirá aos habitantes desta freguesia que, é a segunda mais populosa do concelho de Évora, deslocaram-se ao centro histórico prescindindo dos transportes poluentes e fazerem-no de forma saudável e concomitamente, em defesa do meio ambiente.

Contudo, esta realidade que agora enalteço, coabita com uma outra que é absolutamente inaudita e incompreensível para uma cidade que ostenta o qualitativo de património da humanidade. Refiro-me ao péssimo estado em que se encontra a ecopista e a rede viária que serve o concelho de Évora, nomeadamente, as estradas municipais que servem a freguesia do Bacêlo, hoje, união das freguesias de Bacêlo e Senhora da Saúde.

Temo que a nossa cidade caminhe, inexoravelmente, para uma grande manta de retalhos, onde os aspetos positivos estejam entrecruzados com os aspetos negativos. O problema maior, se é que ainda não anteciparam, é que os aspetos negativos, mesmo que sejam em menor número, marcam mais as perceções das pessoas.

Por isso, se o objetivo é termos uma cidade competitiva a nível da oferta turística, como, ainda, capaz de atrair investimento nacional e estrangeiro, teremos que, alterar visões, anquilosadas e anacrónicas.

Se o poder autárquico está convencido de que a estratégia é fazer algumas coisas de raiz e ignorar a manutenção das infraestruturas existentes, está absolutamente equivocado. Poderá ganhar no curto prazo, mas hipotecará, definitivamente, o futuro. Nem todos merecemos ou queremos isto.

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