Mantenham-se calmos, é só uma pandemia

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 06 Março 2020
Mantenham-se calmos, é só uma pandemia
  • Alberto Magalhães

 

 

As mensagens oficiais e não-oficiais sobre o coronavírus, começam a mexer comigo. Faz tanto sentido andarmos todos de máscara, hoje, nas ruas de Évora, como querer convencer-nos de que a máscara pouco protege, ao mesmo tempo que governos há, como o da França, que açambarcam todas as máscaras, para uso do pessoal de saúde e dos infectados e seus próximos, dizem.

Outro exemplo, o Público de 4ª feira dá conta de um despacho do governo, do princípio da semana, que “ordena aos empregadores públicos a elaboração de um plano de contingência” e prevê que, em determinada altura, poderá ser preciso suspender o funcionamento de bares, cantinas, refeitórios e outros espaços de utilização comum de organismos públicos. Pois a notícia tem por título “Governo abre a porta ao fecho de cantinas e espaços comuns nas escolas”; o director de uma escola secundária explica que se se fechar as cantinas, sobretudo no interior, “a maioria não terá aulas, porque os alunos não vão, se não tiverem refeições”, e o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas só comenta que “a suspensão do funcionamento de espaços comuns está num patamar superior àquele em que nos encontramos agora”. Lê-se e não se acredita. Como se pode conceber que as salas de aula não sejam espaços de utilização comum e imaginar sequer a aplicação do despacho do governo às escolas, sem as fechar?

Isto é, para resumir, por hoje: dizem-nos para ter confiança nas autoridades, para não sucumbir ao pânico e, ao mesmo tempo, dão-nos informações contraditórias ou desenrolam perante nós um autêntico chorrilho de asneiras burocráticas, de mistificações e de maus exemplos. Voltarei ao assunto.

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