Marcelo amarra Costa até 2026

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 31 Março 2022
Marcelo amarra Costa até 2026
  • Alberto Magalhães

Hoje, praticamente todos os diários titulam na primeira página que, ontem, Marcelo, no discurso da posse do Governo, “amarrou” António Costa a São Bento até 2026, sugerindo que a sua saída prematura levará à queda do Governo. Tudo ao gosto do Presidente que, quando jornalista, brilhou como fecundo criador de factos políticos e ontem não resistiu, mais uma vez, a brilhar, armadilhando o hipotético desejo de Costa singrar, precocemente, na Europa.

Pena que o tivesse feito, pois a situação de Portugal (e a do mundo) pediriam antes que concentrasse as atenções do país no que, com urgência, precisa ser feito para que Portugal não feneça, mais anos menos ano, inevitavelmente na cauda da Europa. Não que não tivesse apontado alguns objectivos mais importantes – e mesmo decisivos. Mas fê-lo de forma algo atabalhoada, apressada e, evidentemente, ensombrada pelo presidencial ultimato.

Por isso, vale a pena enumerar algumas das tarefas a que o Presidente deu mais relevo: apostar no elevador social, para que filho de pobre não seja inevitavelmente pobre e esbater as desigualdades, incluindo as existentes entre litoral e interior, e as discriminações; apostar no crescimento económico e, para isso, no investimento, nas exportações, na ciência, na educação e nas qualificações; reformar profundamente o SNS e a Justiça e tornar o sistema eleitoral mais eficaz a representar o voto dos eleitores. Pediu também que o Governo controle o custo dos bens básicos (inflacionados pela pandemia e pela guerra) e que os fundos europeus avancem rapidamente no terreno.

Isto foi o que eu percebi do discurso do Presidente Marcelo. Por mim, gostaria que o primeiro-ministro se sentisse mais amarrado a um programa deste tipo do que a outra coisa qualquer.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com