Marcelo já é candidato

Nota à la Minuta
Terça-feira, 08 Dezembro 2020
Marcelo já é candidato
  • Alberto Magalhães

Finalmente, Marcelo Rebelo de Sousa achou ser tempo de apresentar a sua recandidatura à Presidência da República. De facto, já era tempo, sendo que toda a gente já sabia que ele não poderia deixar de o fazer. Porquê? Palavras suas: “Não vou sair a meio de uma caminhada exigente e penosa. Não vou trocar as adversidades e as impopularidades de amanhã pelo comodismo pessoal ou familiar de hoje”.

A quem o acusou de, protelando o anúncio, evitar o confronto com os outros candidatos, resguardando-se ao máximo do desgaste que daí adviria, Marcelo respondeu, dispondo-se a debater com todos à vez.

Muitos já lhe antevêem uma campanha difícil, longe do resultado que, diz-se, Marcelo gostaria de alcançar. Para isso, contribuirão sobretudo três factores, todos relacionados com a pandemia. Em primeiro lugar, esta veio obrigar o Presidente a apoiar quase incondicionalmente o Governo, a partir de Março, precisamente na altura em que, pelas regras básicas da política, ele deveria começar a mostrar algum distanciamento do Partido Socialista, com vista a reconciliar-se com o seu eleitorado mais à direita. Depois, a situação sanitária, tornou-lhe quase impossível usar o seu melhor trunfo em campanha eleitoral, o afecto, traduzido nas selfies, nos beijos, na empatia com o comum cidadão. Por fim, o medo do contágio poderá adicionar-se ao desleixo dos seus eleitores face à sua mais que certa vitória, para aumentar a abstenção nas suas hostes.

Marcelo coloca-se ao centro, defendendo “o diálogo e a convergência no essencial”, “um Presidente que não divida antes una os portugueses”. Veremos se estes concordam com Marcelo, ou se muitos preferem apostar em propostas mais conflituais.

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