Más razões para um bom desempenho?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 15 Abril 2020
Más razões para um bom desempenho?
  • Alberto Magalhães

 

 

Nas páginas do Público de ontem, sugerem-se algumas explicações para o tão falado ‘milagre português’ no relativo controlo da covid-19, com destaque para a região alentejana. Em primeiro lugar, obviamente, o anúncio precoce do “estado de alerta’, anunciado por António Costa em 13 de Março e o fecho das escolas a 16, quando haviam 112 casos confirmados de infecção e nenhuma morte. Mas depois, são apontadas algumas razões, más razões, para o bom desempenho do país.

O uso imoderado do transporte individual, com todas as desvantagens económicas e ambientais em relação aos colectivos, pode ser uma dessas razões. Mas também o isolamento e a fraca mobilidade de muitos idosos, sobretudo nos territórios do interior, já de si despovoados, pode ter sido um factor de protecção. As descontinuidades territoriais, que criam vazios entre as aldeias e vilas, especialmente evidentes no Alentejo, podem explicar a fraca penetração do vírus numa região em que, segundo o I.N.E., existem 203 idosos para cada 100 jovens.

Outra má razão apontada para o ‘milagre’ nacional seria a relativa facilidade da população em aceitar o confinamento, dada a, noutras circunstâncias infeliz e excessiva, dependência que a maioria dos portugueses tem dos ecrãs. Nos mais velhos, o consumo televisivo exorbitante e, através dos programas da manhã e da tarde, normalizador; nos mais novos, a generalizada obsessão pelo smartphone e o tablet e o desprezo de muitos pelo ar livre.

Más causas com boas consequências? Talvez. Mas eu quero pensar que o povo português é um povo antigo, sensato de calejado, capaz de grandes feitos e de grandes sacrifícios.

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